Gilles Lipovetsky e a demanda da leveza

Gilles Lipovetsky tem desenvolvido algumas das reflexões mais importantes sobre a pós-modernidade e o hiperconsumismo. Lê-lo, é aceder a uma alargada visão da estética (literária desde logo), essencial até para a redimensionação dos estudos comparatistas. A partir das suas obras é possível mapear o vastíssimo corpo do “homo aesteticus”, progressivamente dominado pela globalização e consequentes fenómenos de transtextualidade e hibridização (das artes, dos discursos ou dos géneros). Ser insaciável, apesar do seu hiperconsumismo, excluindo à força de tudo incluir, este “homo aesteticus” vive, segundo Lipovetsky, no pior dos cenários possíveis para ser feliz. Isto, se exceptuarmos todos os outros…

No dia 7 de Novembro de 2015, sob os arcos do novo terminal de cruzeiros do Porto de Leixões (local que corporiza alguns dos conceitos de reflexão do projeto do Instituto de Literatura Comparada, como Fronteira, Margem, Periferia, Inclusão/Exclusão), durante um encontro com Lipovetsky organizado por Fátima Vieira, falou-se de felicidade. E de “leveza” e “ligeireza”, duas palavras portuguesas que traduzem légèreté: talvez sejam elas as duas faces deste Jano que temos de olhar quotidianamente.

Alguns obras de Gilles Lipovetsky: L’Ere du Vide (1983); L’Empire de l’Ephémère (1987); La Troisième Femme (1997); Le Luxe Eternel (2003); Les Temps Hypermodernes (2004); La Société de Déception e Le Bonheur paradoxal (ambos de 2006); L’Esthétisation du monde (2013, em coautoria com Jean Serroy); De la légèreté (2015).