O Teatro e a Cidade. Teatro no Porto 1850-1950.

O Arquivo Municipal do Porto organizou a exposição O TEATRO E A CIDADE. TEATRO NO PORTO 1850-1950, patente até 27 de Março de 2017 na Casa do Infante, na Rua da Alfândega, 10. Apresenta-se um percurso possível, não exaustivo, pela atividade teatral na cidade do Porto entre 1850 e 1950, numa perspetiva essencialmente histórica, à volta de materiais do Arquivo, mas também de outras instituições do Porto e de Lisboa. A exposição organiza-se à volta de três núcleos: os espaços, os atores e os autores. O Instituto de Literatura Comparada associou-se a esta iniciativa, organizando um ciclo de conferências sob a designação de À VOLTA DO TEATRO, com duas conferências no dia 16 de Fevereiro sobre Camilo Castelo Branco e Ramada Curto, a cargo de Tânia Moreira e Joana Miguel, e outras duas no dia 27, sobre Raúl Brandão e António Patrício, com Maria João Reynaud e Pedro Eiras.

O teatro era a grande forma de diversão dos portuenses, daí o número significativo de salas existentes, desde o Teatro da Guarda ao Coliseu, passando pelo Teatro S. João, o Teatro Baquet, o Teatro da Trindade, o Teatro Sá da Bandeira, o Rivoli e muitos outros que entretanto fecharam as suas portas. Estes espaços no Porto eram geralmente polivalentes, apresentando programas de teatro declamado ou lírico, teatro de revista, vaudevilles, mágicas e zarzuelas. Grande parte destas salas situavam-se entre a Batalha, a Rua de Santo António, a Rua Sá da Bandeira e a Rua Passos Manuel. A atividade teatral passava também por salões de Associações e casas particulares. Este papel de centro de diversão passou depois, já bem no século XX, para o cinema, partilhando muitas vezes os mesmos espaços.

O teatro declamado alternava entre os principais escritores portugueses, dos clássicos aos contemporâneos, como Camilo Castelo Branco, André Brun, Amílcar Ramada Curto, Júlio Dantas, Eduardo Schwalbach, Virgínia Vitorino, Gervásio Lobato, António Sá de Albergaria, D.João da Câmara, Carlos Selvagem, só para referir alguns,e autores estrangeiros, como Shakespeare, Molière, Geotges Feydeau, Linares Rivas, Alexandre Dumas (Filho), Henrik Ibsen, Oscar Wilde, entre muitos outros. As traduções eram frequentemente adaptações.

Relativamente ao teatro lírico, o Porto foi visitado sobretudo por companhias estrangeiras, com um reportório na língua original, que apresentaram óperas e operetas de autores tão variados como Gioacchino Rossini, Giuseppe Verdi, Georges Bizet, Richard Wagner, Georges Bizet, Giacomo Meyerbeer, Gaetano Donizetti, Vincenzo Bellini, Giacomo Puccini, entre muitos outros. Nos programas figuravam também compositores portugueses como Francisco de Sá Noronha, Ciríaco Cardoso e Alfredo Keil.

A revista foi um dos géneros mais populares desde os finais do século XIX. Caracterizava-se por uma série de ‘números’ independentes, com pequenas críticas aos costumes da aristocracia e da burguesia em plena ascensão, mas sempre com o cuidado de não ferir o seu próprio público. Dos autores de revistas e operetas destacaram-se Arnaldo Leite, Luís Antero de Carvalho Barbosa e Heitor Campos Monteiro que formaram a Parceria do Porto, responsáveis por mais de 50 títulos de especialmente espetáculos de revista. Importante foi também a Parceria de Lisboa à volta de Ernesto Rodrigues, João Bastos e Félix Bermudes.

Desde a Grécia Antiga, o teatro sempre foi um modo de olhar e questionar a sociedade, continuando a desempenhar essa missão até hoje nos diferentes palcos da cidade.