Seminário Aberto “Das fronteiras e da memória do romance realista”

Aristóteles, em Poética, afirma ao falar da epopeia de Homero: “deve preferir-se o impossível verosímil ao possível inverosímil”. Pretendo pensar como romance realista da segunda metade do século XIX, escrito na periferia do imperialismo neocolonialista pela pena do português Eça de Queirós e do brasileiro Machado de Assis, foi capaz de desafiar a inverosimilhança do tempo histórico e criar um discurso contundente que extrapolou as fronteiras do estético e garantiu sua permanência na memória da ficção em língua portuguesa. Gostaria de problematizar o suposto “passadismo” imputado ao romance oitocentista, através de uma leitura que privilegie a revolução estética que muitos de seus autores souberam criar.