Seminário Aberto “Sexologia, psicanálise e as políticas sexuais do modernismo português”

No dia 15 de Junho, pelas 17h30, o Professor Doutor Fernando Beleza (Univ. New Hampshire) estará na sala de reuniões 2 para o seminário aberto “Sexologia, psicanálise e as políticas sexuais do modernismo português”. A entrada é livre.

Estudos recentes têm mostrado de forma consistente a importância das relações entre literatura e ciência nas primeiras décadas do século XX europeu. Rejeitando a noção de que ciência e literatura são dois discursos necessariamente antagónicos e incompatíveis (forjada em grande medida na segunda metade do século XX), a crítica tem vindo a expor o modo como ambos os discursos se moldaram mutuamente durante as décadas modernistas. Em particular, a sexologia e a psicanálise—enquanto discursos diferenciados e em competição nos campos científico e cultural sobre sexualidade, subjectividade e identidade—ocuparam um lugar central neste processo de trocas constante entre ciência e literatura. Esta comunicação pretende trazer aspectos relevantes deste debate para o contexto do modernismo português, expondo a forma como a sexologia e a psicanálise tiveram um papel crucial na definição das políticas sexual, estética e cultural do modernismo (masculino) português. Mais concretamente, argumentarei que a célebre recusa por parte de Fernando Pessoa de certos elementos da psicanálise de Freud, nomeadamente da teleologia edipiana, reflecte, de modo paradigmático, uma defesa do modelo sexológico de Havelock Ellis e Edward Carpenter, que, por seu lado, terá servido como o principal discurso sobre sexualidade no modernismo português, definindo os contornos estéticos das suas políticas sexuais, desde A confissão de Lúcio, de Mário de Sá-Carneiro (1913), até à “Carta da génese dos heterónimos” de Pessoa (1935). Finalmente, para além das marcas no plano estético, a hegemonia do modelo sexológico de identidade no modernismo português permite ainda estabelecer relações significativas com outros modernismos europeus que, tal como ele, também partilharam posições homófilas no contexto das suas políticas sexuais, estéticas e culturais.

cartaz_ Fernando Beleza