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Colóquio Internacional “Exiliência de mulheres no mundo lusófono (séc. XX-XXI)”

7 Novembro, 2016 8:00 - 11 Novembro, 2016 17:00

O Colóquio Internacional “Exiliência de mulheres no mundo lusófono (séc. XX-XXI)” realizar-se-á nos dias 7 e 8 de novembro na Université Paris-Sorbonne e dias 10 e 11 na Universidade do Porto (FLUP). Toda a informação pode ser consultada na página do colóquio. Programa disponível em breve.

    As múltiplas convulsões e revoluções geopolíticas que marcaram o último século levaram (e continuam a levar), milhões de indivíduos a abandonar as suas terras ou países de origem, em demanda de paz e/ou de liberdade, em busca de sobrevivência ou de melhores condições de vida. Os territórios e países que têm a língua portuguesa em comum, aqui designados como “mundo lusófono”, estiveram todos diretamente ligados a algumas dessas vagas migratórias e exílicas forçadas por regimes ditatoriais, desencadeadas por guerras de independência e/ou por guerras civis e ainda pelos vários problemas estruturais causados pela pobreza ou pela instabilidade.

    Se bem que, por tradição, também no mundo lusófono tenham sido sempre os homens os primeiros a partir, a emigração e o exílio acabavam por marcar igualmente o universo feminino. Entretanto, ao longo das últimas décadas, tem aumentado não apenas o número de mulheres migrantes, como a sua visibilidade social e cultural enquanto sujeitos de experiência e/ou de representação.

    Neste encontro alargado de investigadores e criadores propomo-nos exatamente desenvolver /aprofundar a função e a perspetiva das mulheres tanto nos diferentes processos migratórios como na sua subjetivação no domínio das Letras e das Artes. No entanto, ao invés de nos concentrarmos apenas num estudo de base nacional e de separarmos, como muitas vezes aconteceu, e/imigração de exílio, optamos por abrir esta problemática a uma análise de diferentes contextos do mundo lusófono, assim como por utilizar o termo exiliência, numa tradução do neologismo proposto por Alexis Nouss (2015) para designar “o núcleo existencial comum a todas as experiências de sujeitos migrantes” e que, como expõe o autor de La condition de l’exilé, é passível de se declinar em condição e consciência, podendo estas coincidir ou não e em graus distintos. Sem querer anular as diferenças de experiências ou destinos individuais que, justamente, as representações literárias ou artísticas tendem a explorar, a noção de exiliência pretende antes de mais contemplar questões que extravasam das grelhas de análise socio-económica normalmente utilizadas para falar de migrações, designadamente tudo aquilo que tem a ver com os processos de subjetividade e do trabalho da memória que, além de interferirem nas construções identitárias, atravessam também as diferentes gerações.

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Local

FLUP e Université Sorbonne-Paris