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ESTE LIVRO se pediu uma liberdade maior que tive medo de dar. (Clarice Lispector 1969: 7)

PREFÁCIO um pantanal de citações 13 prazeres da citação 17 copiar 20 metodologia 24 Uma citação é sempre uma interpretação 28 uma paixão geométrica 32 a citação é um vício 39 Que livro é este? 44 Todo este universo é um livro 51 que dês agora um salto 58 […] ENSAIO SOBRE OS MESTRES ao princípio era o Vento 63 um Mestre com seus Discípulos 69 O mito 72 Não concebo uma obra desligada da vida 77 O Mestre este menino 87 a sua costumada prontidão divina 90 e o estranho ar grego, que vinha de dentro 95 uma formidável infância 98 a linguagem original da inocência 105 Você se lembra da sua infância 109 um selvagem 112 O Discípulo Sinto a ausência de um mestre 117 onde vais descobrir um professor a esta hora da noite? 124 cai um raio na cabeça de um homem 127 libertação 132 um mortal chamado ao convívio dos Deuses 135 O inabordável 139 nascer outra vez 143 Então aconteceu 146 isto, aqui, agora, sempre 149 É um bocado zen 155 que os mortos sepultem os seus mortos 158 toda a sabedoria da terra estava reunida naquela sala 162 Aulas e Conversas O que quer dizer «pensar»? 171 partir do zero 178 Que sei eu? 183 penso, logo existo 187 conhece-te a ti mesmo 190 isso não me facilita em nada o conhecimento 194 O que é este «eu» que eu sou […]? 198 Aprende a tornar-te naquilo que és 204 Onde invento o real 208 ponto de vista 213 Sonhei a própria realidade 218 E esta vasta combinação chama-se Natureza 224 O que é o 34 na Realidade? 232 A arte não passa […] de uma visão mais directa da realidade 236 perseguir / ficções 241 pergunto a mim próprio se mentes ou dizes a verdade 246 viver bem 250 O Combate gente com capacidade para ter mestre 259 é o corpo de outrem que constitui o nosso 262 homens de pouca fé 269 Eu não sou eu nem sou o outro 274 quase tudo em mim é obra alheia 280 Ao escravo 285 não compreendo 289 com um ar benévolo, complacente, paternal 294 Devorava os discípulos 298 um médico procura sempre prolongar as mazelas 304 Faça de mim o que quiser 308 Ah quantas máscaras e submáscaras 311 Eu próprio já apontei não poucas falhas em Homero 314 um maluco autodidacta 316 os hospícios 321 No final, um verdadeiro Mestre deve estar só 327 Senhor: temos medo 331 alguns discípulos […] arruinaram os seus Mestres 335 – Não és Deus, pois não 339 inimigos 349 um elo de quase parentesco 352 mestre, / […] / Porque […] me acordaste […]? 355 Traindo 362 Que é uma traição aos olhos de Deus? 369 O Fantasma do Pai 373 A Morte A velhice 381 seus últimos dias 387 A morte é sempre um corte / extemporâneo 392 os verdadeiros filósofos […] exercitam-se em morrer 395 os que estavam presentes 398 órfãos 405 o trauma 409 a minha morte não tem importância nenhuma 413 a Lua nunca morre. Regressa sempre 417 Ninguém é inconsolável 422 os deuses partiram 425 Grassa neste mundo o absurdo completo 430 Não é tão cedo como parece 435 EPÍLOGO Cheguei ao fim 445 livro […] rotativo 448 deita fora este livro 452 Bibliografia 455.

 

À partir du concept fondateur d’exiliance (Nouss) et dans une perspective interdisciplinaire, le présent ouvrage explore la richesse, la diversité et les enjeux des expériences exiliques au féminin dans le monde lusophone des XXe et XXIe siècles, dont les traces sont trnsmisses de façon éloquente par plusieurs formes de création (littérature, musique, cinéma et arts plastiques). À travers la diversité des champs culturels abordés, l’expression artistique de l’exiliance se présente sous différents angles, en fonction de l’écho des voix migrantes et de la variété des déplacements provoqués par les circonstances politiques ou économiques. Elle prend des formes multiples qui jouent avec la notion d’enracinement dans une terre ou une culture, afin de promouvoir des identités en devenir, nous montrant ainsi que l’exil peut également être compris comme ne «pensée du tramblement» fondée sur une poétique de la Relation (Glissant), capable de nous unir dans l’absolue diversité d’un tourbillon de rencontres fécondes.

 

Os textos de Victor Hugo que aqui se apresentam não só não escapam ao panorama do discurso prefacial oitocentista, como são dele exemplos emblemáticos, uma vez que enunciam alguns dos mais importantes princípios poético-estéticos que a Modernidade perseguiu e que no século XIX se apresentaram como essenciais ao entendimento diferenciado da criação artística, a ponto de Gautier ter considerado que a juventude romântica estaria «fanatizada» pelo Prefácio de Cromwell e pelo seu autor. Talvez por isto mesmo, eles são precisamente o contra-exemplo do prefácio segundo Brás Cubas-Machado de Assis, conforme se torna notório sobretudo no caso de Cromwell, pois é claro que Victor Hugo se dirige aos seus contemporâneos com um prólogo «explícito e longo», mesmo que não chegue a contrariar o princípio de acordo com o qual, ainda nos termos do escritor brasileiro, «a obra em si mesma é tudo».

Uma arca contra o fim do mundo

Uma arca contra o fim do mundo – sete breves notas sobre o filme Dia 32, de André Valentim Almeida, exibido no Seminário do Fim do Mundo V.4

1. Que imagens guardar numa arca, para enfrentar o fim do mundo? Guardar imagens do fim, de fins, do mundo, dos mundos.
O filme sobrevive ao mundo, o mundo existe para culminar num filme.

2. Dia 32, de André Valentim Almeida. Ou uma arca de memórias para uma civilização seguinte, um filme sem espectadores humanos, a ser visto – por quem? quando? Um filme para depois do fim do mundo.
Na verdade, confessa o realizador, é uma espécie de estratégia retórica. Claro que o filme é para a humanidade, esta humanidade, na forma de memória – ou reflexão – ou alerta. Como poderíamos filmar para depois da humanidade, para depois do cinema? O filme implica sempre o nosso tempo: a nossa resistência.

3. Filme-diário: estas imagens, estas cidades, estas paisagens. O autor aparece, vez por outra, em espelhos fugazes. You are here, em trânsito, mas aqui e agora. Homo viator, que é também olhar que fixa e que recorda. Não há senão o acidente dos dias; mas, quando ele se torna em imagem, o acidente converte-se em coisa fundamental, ou seja, a única coisa que se pode salvar.

4. O autor filma a sua própria passagem, e vê. Mas também acolhe filmes de muitos outros autores, e cita.
De quem é um filme citado – de quem o fez, de quem o convoca? E aquele que cita – ainda é ele próprio, ou dispersa-se entre imagens dos outros?

5. Uma mão persegue as imagens. Sobre ecrãs que repetem as imagens filmadas, ou os filmes vistos, a mão tenta tocar. Dir-se-ia que ela vê: a mão segue as formas, as linhas, os movimentos. Mas não toca em nada: apenas num ecrã, que ao mesmo tempo apresenta e difere esse mundo já eternamente perdido.
A mão vidente é também uma mão cega, e quando quer tocar no mundo apenas toca no ecrã que lhe nega o mundo.

6. Excepção: a mão toca numa caveira. A mão sente a caveira que não pode ver, as órbitas esvaziadas, a imagem do despojo que já não acede às imagens, o fim do mundo, de uma vida.
Apenas isto a mão consegue tocar, finalmente: a sua própria morte.

7. Quando vemos a mão a tentar tocar no mundo, mas apenas a tocar num ecrã de imagens, lembramo-nos: também a mão é apenas uma imagem. E nós, o que somos nós?

 

Pedro Eiras

Excerto do Documentário “Dia 32” de André Valentim Almeida

Seminário Aberto “Literatura, Masculinidades e Poder: uma introdução”

O Prof. Doutor Mário Lugarinho (USP) irá realizar um Seminário Aberto no dia 12 de dezembro, às 17h30, na sala 207 (Geral, 2º piso), sobre “Literatura, Masculinidades e Poder: uma introdução”.

Entrada livre.

Mário Lugarinho – Professor Associado da Universidade de São Paulo na área de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa. É bolsista de produtividade em pesquisa (nível 2) do CNPq, recebendo sucessivos apoios desde 2001. Possui graduação em Letras (1988) e especialização em Teoria Literária (1989) pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, mestrado (1993) e doutorado (1997) em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Fez estágio de pós-doutoramento na Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (2002-2003) e no Centro de Estudos Comparatistas da Universidade de Lisboa (2012-2013). Prestou concurso de Livre-docência, para a área de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (2012). Foi Professor Associado do Instituto de Letras da Universidade Federal Fluminense, tendo atuado nas áreas de Literatura Portuguesa e Literaturas Africanas de Língua Portuguesa (1994-2007). Com outros pesquisadores, fundou em junho de 2001 a Associação Brasileira de Estudos da Homocultura (ABEH). Publicou três livros (Portugal, Brasil), vários artigos em revistas especializadas e capítulos de livros, no Brasil e no Exterior. Possui experiência na área de Letras, com ênfase em Literaturas Africanas de Língua Portuguesa e Literatura Portuguesa, principalmente nos seguintes temas: Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa, Estudos Pós-coloniais, Estudos Culturais e Estudos Queer.

Seminário Aberto “Corpo e Conduta Ética: sobre a escritura feminina, Hilda Hilst e as Três Marias”

O Prof. Doutor Emerson Inácio (USP) irá realizar um Seminário Aberto no dia 12 de dezembro, às 18h30, na sala 207 (Geral, 2º piso), sobre “Corpo e conduta ética: sobre a escritura feminina, Hilda Hilst e as Três Marias”.

Entrada livre.

Emerson Inácio – Professor Associado I da área de Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa, no Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP), desde 2006; Livre Docente pela mesma IES (2016), com a tese “Do corpo o canto, perfumada presença: o corpo, Fluxo-Floema e Novas Cartas Portuguesas”, Doutor em Letras Vernáculas pela UFRJ (2006), sob a orientação do Prof. Jorge Fernandes da Silveira. Mestre em Letras e Graduado em Português-Literaturas pela UFF. Concentra suas abordagens sobre o Comparatismo Literário / Literatura Comparada, particularmente nos possíveis diálogos entre as Literaturas de Língua Portuguesa, com atenção às relações literárias e culturais entre Brasil e Portugal. Entretanto, procura estar atento aos diálogos da Literatura com outros sistemas semióticos, em particular com a Música Popular Brasileira nas suas diversas manifestações, em particular com o Rap. Por acreditar que não há hierarquias entre as diversas manifestações da palavra escrita e falada, nem entre o centro e as margens, tem se dedicado aos estudos sobre os cânones, as sexualidades, a teoria queer e as manifestações estéticas das afrodescendências. Predileções e práticas de sala de aula? Poesia Contemporânea de Língua Portuguesa, Teoria Queer, Gênero, Sexualidades e Diversidade Sexual, Estudos Culturais, produções periféricas e marginais, focalizando a tensão e a convergência desses objetos culturais com a crítica literária, o corpo, a subjetividade, a cultura e a formação dos cânones literários. Líder do grupo de pesquisa “Timor Leste: Literatura, Cultura e Sociedade” (dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/6404437264052232). Pós-Estruturalista por escolha.

Seminário Interno “Food for Thought”

A Prof.ª Doutora Mónica Figueiredo (UFRJ/CNPq) irá realizar um Seminário Interno “Food for Thought” no dia 13 de dezembro, às 12h30, na sala de Reuniões 2 (2º piso), sobre o tema “Rio de Janeiro: ‘cidade partida’ que a ficção (re)construiu”.

Entrada livre.

Resumo: Neste encontro, gostaria de recuperar uma das ideias do crítico brasileiro Antonio Candido – propositadamente descontextualizada de seu texto original – para ser usada aqui, em sentido mais abrangente. Ao se referir à literatura feita no Brasil – mais especificamente, ao romance regionalista da década de 30 – Candido afirmava que os escritores brasileiros tinham “ fome de espaço”. Parto desta “forme de espaço” para tecer um painel literário que tem a cidade do Rio de Janeiro não como cenário, mas como personagem, tentando mostrar que deste “mal” já sofriam nossos ficcionistas desde o século XIX.