Ciclo “Mundos Que Falam, Mundos Em Movimento”

Mundos Que Falam, Mundos Em Movimento
O Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa junta-se à Casa Fernando Pessoa  para procurar o cruzamento entre a literatura e as ciências, entre Lisboa e o Porto. Na CFP, lê-se e debate-se poesia; na Biblioteca Municipal Almeida Garrett, a ficção.
Começamos com poesia.

28 MAR
“Mais vasto o cérebro que o céu?
Tenho em mim todos os sonhos do mundo”.

Com Ana Luísa Amaral e o poeta e físico teórico David Jou (Catalunha). Moderação de Joana Espain. Apresentação de Marinela Freitas.

Já saiu o libreto “Materiais para o Fim do Mundo” #7

Para estudar o imaginário do fim do mundo, o Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa organiza, desde 2013, uma série de seminários abertos, coincidindo com os equinócios e os solstícios. Os libretos Materiais para o Fim do Mundo recolhem alguns ensaios apresentados nesses seminários, ou textos afins. Neste sétimo libreto, Peter Haysom estuda o «fim do mundo rural» no romance de Aquilino Ribeiro Quando os Lobos Uivam (1958), mostrando como a intervenção do governo, em pleno Estado Novo, ao expropriar as serras e impor uma política de arborização, condena a subsistência das comunidades; Rui Torres, interroga os conceitos de fim, início e ciclo, a literatura entre o modelo clássico do livro e a deriva cibernética, cruzando Cortázar com Gaiman, Herberto com Batman – num texto experimental, em diálogo com um processador aleatório de texto; e Sofia Freitas encontra nos Cadernos de Vaslav Nijinsky um conflito entre a invenção de uma nova linguagem coreográfica no século XX, na senda dos Ballets Russes, e uma dupla catástrofe: a demência pessoal e a destruição na Primeira Grande Guerra, fim do mundo que é também o fim da dança.

Organização
Pedro Eiras

Veja a versão integral aqui

Chamada à participação: Jornada Científica “Humanidades: O potencial infinito das Humanidades na era do digital”

27 de novembro de 2017
Faculdade de Letras da Universidade do Porto

No mundo contemporâneo, a progressiva perda de estatuto das Humanidades – desvalorizadas face às ciências ditas “duras”, exatas ou aplicadas – continua a exigir um debate profundo sobre a necessidade de uma dinâmica multi- e transdisciplinar, que não só tenha em conta o manancial de conhecimento que as Humanidades congregam, como o seu potencial de reflexão em torno dos valores, fundamental para pensar questões de ordem ética nas mais diversas áreas científicas.

Mas se é verdade que diversas conjunturas e enquadramentos plurais de investigação têm progressivamente mobilizado e fomentado aberturas nos mais variados domínios científicos e nas abordagens de diferentes problemáticas, essas convergências (Ceserani, 2010), ou tão-só contaminações discursivas, têm por vezes provocado imposturas intelectuais no mínimo caricatas (Bricmont e Sokal, 1997) que, de modo algum, contribuem para a credibilidade das Humanidades, nomeadamente dos Estudos Literários.

Por isso mesmo nos parece fundamental continuar a refletir sobre os processos e consequências da interacção epistemológica, agora cada vez mais à luz da revolução digital, enquanto promotora da formação de um campo particular, o das Humanidades Digitais, onde criação, valorização, difusão, conservação, troca, partilha e cruzamento de saberes se tornam palavras-chave.

Não será por acaso que, em 2010, o THATCamp (“The Humanities and Technology Camp, is an open, inexpensive meeting where humanists and technologists of all skill levels learn and build together in sessions proposed on the spot” ), redigia um manifesto (Manifeste des digital humanities) no qual se apelava à integração da cultura digital na definição de cultura geral do século XXI, e se propunha uma definição de Humanidades Digitais assente em três vetores:

1. Le tournant numérique pris par la société modifie et interroge les conditions de production et de diffusion des savoirs.
2. Pour nous, les digital humanities concernent l’ensemble des Sciences humaines et sociales, des Arts et des Lettres. Les digital humanities ne font pas table rase du passé. Elles s’appuient, au contraire, sur l’ensemble des paradigmes, savoir-faire et connaissances propres à ces disciplines, tout en mobilisant les outils et les perspectives singulières du champ du numérique.
3. Les digital humanities désignent une transdiscipline, porteuse des méthodes, des dispositifs et des perspectives heuristiques liés au numérique dans le domaine des Sciences humaines et sociales.

Não obstante o desenvolvimento exponencial da investigação em torno da Web, persistem ainda uma grande falta de conhecimento, o sentimento de suspeição, ou mesmo, uma desvalorização do digital que justificam uma atenção particular a esse fenómeno omnipresente no nosso quotidiano.
É nesse sentido que vários colóquios, publicações e projetos têm procurado dar conta de pontos de contacto e de interseção entre as Humanidades e outros domínios do saber aparentemente distantes (medicina, neurociências, direito, arquitetura, física, etc.), sinal de que as Humanidades, quando inscritas na dinâmica do digital e da sinergia transdisciplinar, integram legitimamente a construção epistemológica complexa e pluridisciplinar do futuro.
Neste quadro de promoção de partilha de experiências e contributos de pesquisa, potenciadores de construção do conhecimento na era digital, convidam-se docentes e investigadores, a quem estas interseções possam interessar ou interpelar, a propor uma intervenção passível de ser integrada num dos seguintes eixos:

1. Humanidades digitais: definição e desafios;
2. Humanidades digitais: estudos de caso e domínios de aplicação (nomeadamente nas áreas da literatura e estudos literários);
3. Humanidades Digitais e fronteiras do conhecimento (interseções entre as Humanidades e outras disciplinas científicas);
4. Abordagens relativas ao alcance e impacto das Humanidades sobre o conhecimento e as práticas científicas;
5. Humanidades Digitais e viragem ética: desafios de inclusão.

Organização:
Ana Paula Coutinho (Un. Porto – ILC ML – APEF)
José Domingues de Almeida (Un. Porto – ILC ML – APEF)
Maria de Fátima Outeirinho (Un. Porto – ILC ML – APEF)

Comissão Científica:
Jacques Walter (Centre de Recherche sur les Médiations, Communication, Langue, Art, Culture – Un. de Lorraine)
Moisés Lemos Martins (Un. Minho)

Idiomas: francês, inglês, espanhol e português.

Prazos:
Data limite para envio: 30 de junho 2017
Resposta da organização: 06 de julho 2017
Programa provisório: 15 de setembro 2017

Inscrição: 80,00€ a liquidar depois de confirmada a aceitação e seguindo as instruções do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa. A inscrição dá direito a pasta, certificado, pausas para café e almoço.

Submissão:
As propostas de comunicação serão previamente avaliadas. Explicite claramente a sua abordagem (eixo). As apresentações não poderão ultrapassar 20 minutos. Para submeter uma proposta mediante um resumo de 150 palavras acompanhado de uma breve nota biobibliográfica (CV),contacte o seguinte correio eletrónico:
rdv2017numerique@letras.up.pt.

Prevê-se uma publicação após aceitação dos textos pela comissão científica.