Queering Partnering

De 30 a 31 de Março terá lugar a 1ª Conferência Internacional Queering Partnering, no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Ana Luísa Amaral, coordenadora científico do grupo Intersexualidades, é uma das oradoras convidadas.

O programa provisório pode ser consultado aqui.

Gendering Translation: The Strange Case of Isabelle Eberhardt

No próximo dia 10 de março de 2016, terá lugar na sala do DEPER da FLUP, pelas 17h30, o Seminário Aberto Gendering Translation: The Strange Case of Isabelle Eberhardt, com Loredana Polezzi (Universidade de Cardiff, Reino Unido).

    Isabelle Eberhardt was born in 1877 near Geneva and died in 1904, at the age of twenty-eight, killed by a desert flash flood on the border between Algeria and Morocco. Over the following century both her image (captured in a small number of photographs) and her writings were repeatedly reframed. As a European girl who converted to Islam and travelled through Northern Africa dressed as an Arab man, Eberhardt has been presented as a scandalous yet fascinating romantic figure, a pioneer of female travel, as well as an ambiguously attractive feminist icon. Her story and its multiple retellings offer an extreme example of the role played by translation practices in processes of cultural representation.

    The seminar will examine the French, Italian and English editions of a selection of Eberhardt’s works. Particular attention will be paid to how these re-articulate categories of gender, sexuality, race, national and class identity, religious allegiance, or linguistic and political belonging. The agents involved in these processes of retelling are key figures in constructing the multiple and often contradictory tales which still circulate today about ‘Isabelle’. The voices of translators, editors and biographers have become superimposed on Eberhardt’s words as well as on her body, contributing to repeated transformations of her persona which are closely linked to the complex writing and over-writing of gender and sexuality.

L’homme Atlantique de Marguerite Duras: um filme negro para se ouvir a escrita

Não vejo diferença entre ler e escrever, ler e ver. Escutar.
MARGUERITE DURAS

 

Marguerite Duras (MD) escreveu, encenou, realizou: livros, peças de teatro, filmes, além de ter escrito periodicamente para a imprensa. Começou por escrever romances; mas a partir de Moderato Cantabile (1958) dá-se na sua obra um deslize permanente entre romance, novela, narrativa, teatro. Depois de Détruire, dit-elle (1969), a designação “romance” quase se desvanece, para dar lugar sobretudo a “narrativa”, “teatro”, “filme” – ou a indicação nenhuma. De 1969 em diante, MD transforma muito frequentemente os seus livros em filmes, ou vice-versa. E muitas obras retomam histórias e personagens de trabalhos anteriores. Interessa neste trabalho explorar esse Purgatório durasiano onde um filme (que se quer destruição fílmica) se purifica em livro sem nunca conseguir expiar o texto, sendo essa a poética-potência própria de MD.
 

A ESCRITA TRANSBORDANTE

Madeleine Borgomano propõe o termo deriva para nomear a relação peculiar que MD tem com os géneros literários, que passa sobretudo pela recusa:

    Recusa, é certo: mas não uma recusa teorizada, antes uma recusa instintiva, visceral, dos limites, das barreiras, das fronteiras e das grelhas. (…) Pouco importa então a ameaça de transbordamento, de diluição, de desastre mesmo: ‘É preciso transbordar’, diz Marguerite Duras a Michelle Porte (e essa é a sua última palavra). (Borgomano, 2001: 216)

Relação peculiar que também passa por uma destruição vital:

    A rebelião passiva contra os limites dos géneros instituídos, a vontade de se andar à deriva, tomam todas as formas de ‘destruição’ (…). É certamente um ‘jogo’ com os géneros mas à maneira da roleta russa: o seu objetivo é vital. E é aí, parece-me, que está a sua ‘différance’. (idem: 219)

Mas MD não se limita a “jogar” com os géneros literários, expandindo-os, mesclando-os, baralhando-os. Os seus textos vão, paulatinamente, deixando de ser narrativas, para se tornarem sobretudo diálogos, cujas frases minimais e desnorteadas (que não servem já para contar histórias, mas para constatar, descrever, pôr em suspenso, sugerir, dispor, decretar) parecem didascálias ou indicações de um argumento cinematográfico. O que faz com que os livros de MD se transubstanciem, naturalmente, em peças de teatro e/ou filmes. Para além do desvanecimento dos limites dos géneros literários, são, então, também os limites das próprias artes que são postos em causa. MD faz livros, peças, filmes num mesmo sopro: trata-se, afinal, de uma escrita só, que abarca, num mesmo movimento, a materialidade e a possibilidade do teatro e do cinema.

O caráter híbrido da obra de MD é decisivo e tornará a sua obra singularíssima. O texto não é apenas lugar de trânsito, é também lugar onde a mutação se dá a ver. A sua escrita capta esse movimento: o de uma forma que se torna outra forma que se torna outra forma ainda. Em 1973, por exemplo, India Song é publicado com a tripla designação “texto, teatro, filme”, dando-se, desde logo, o aviso ao leitor: o que tem em mãos é uma obra com várias entradas, um texto com diferentes vias/formas/virtualidades artísticas. Outro exemplo (e são muitos): no final de La Maladie de la Mort (1982), em forma de codicilo, MD deixa indicações cénicas/fílmicas do texto (que ela própria nunca chegou a encenar ou realizar). Assim, o livro, à partida, não é só um livro, é também teatro e/ou filme. Sarrazac escreve a este propósito:

    A autora apresenta-nos o seu Texto-Testamento isento de qualquer ancoragem particular a um género ou a um modo artístico, para depois, através do codicilo, nos convidar a jogar com este Texto como se fosse um caleidoscópio, ajustando a metamorfose infinita da narrativa em cinematógrafo, do cinematógrafo em teatro e do teatro em narrativa… (…) Depois de Détruire dit-elle, Marguerite Duras leva a cabo, se não a confusão, pelo menos a hibridação dos grandes modos originais da expressão poética – o ‘dramático’, o ‘épico’ e o ‘lírico’ – no seio de um único texto rapsódico. (…) [T]oda a escrita de Duras é um único texto sem fim, um único Poema testamentário, englobando romance, narrativa, teatro e cinema. E cada obra representa apenas uma montagem aleatória (rhaptein, em grego antigo, significa ‘cozer conjuntamente’) de um certo número de cânticos – ou ‘lais’. (1989: 160)

Sobre Détruire, dit-elle (que primeiro foi publicado e depois realizado por MD), Blanchot coloca a questão derradeira, talvez a mais essencial que se pode colocar à obra durasiana: será um livro ou um filme? Ou será o intervalo dos dois? (2001: 132). Na verdade, o entre constitui-se como um espaço pleno em MD. Para além de amalgamar géneros, modos, artes, a sua escrita acontece intensa e verdadeiramente no intervalo. Não é só necessário ler o que está lá efectivamente, mas sobretudo o que está lá em potência. Uma palavra corresponde não ao seu significado propriamente dito, mas à sua materialização e projecção, ao seu devir em outra coisa. Um livro de MD deixa de ser apenas um livro, para passar a ser ao mesmo tempo uma peça, um filme – assim como uma peça ou um filme podem ser ao mesmo tempo um livro, como se a matéria que trabalha não pudesse fechar-se numa só forma, como se a sua obra não pudesse existir intensa e integralmente senão na sua natureza “informe”.

Independentemente da amplitude do gesto durasiano, que nele tende a carregar, em simultâneo, texto, teatro, filme, não se deve esquecer que a matéria essencial de MD, o seu fundamento, é a palavra. O núcleo durasiano é a escrita, o escrever (não é acaso existir um livro dela intitulado Écrire (1993)). Escrever é o seu ato derradeiramente político. E o seu gesto, ao encenar/realizar, é também esse: um gesto texturante, que revela um texto sem o desvelar e lhe dá um corpo que ganha materialidade no entre.
 

A ESCRITA FILME – O CASO DE L’HOMME ATLANTIQUE

A obra aqui em análise começou por ser filme e só depois foi publicada em livro (filme em 1981 e livro no ano seguinte). Em L’homme atlantique não há trama, e cerca de metade do filme é negro. O que há é um décor: o átrio de um hotel à beira-mar (Hotel de Roches Noires, em Trouville, onde MD residia periodicamente e onde se desencadeia a sua relação com Yann Andréa, seu último companheiro). O filme dá a ver as deambulações, nesse décor, de uma personagem (Yann): vemo-la ora sentada num sofá, ora vagueando pelo átrio amplo e deserto, ora observando a partir da janela o mar próximo, dado como tão próximo que toma o plano por inteiro (nele mergulhamos, sem nos apercebermos). Ao longo do filme, o negro vai invadindo a tela intermitentemente. A voz de MD (a única no filme) não cessa de ouvir-se em off, e a personagem vai ressurgindo muda, nas suas deambulações, até que o negro se instala definitivamente até ao final. A voz de MD enche os planos, esvaziados em si mesmos. Voz que põe em cena/realiza, comenta, revela. O quê? O amor em perdição contínua. MD, na altura, julga ter perdido para sempre Yann e encontra-se só, no seu quarto em Trouville, com vista privilegiada para o mar. L’homme atlantique terá nascido muito simplesmente desses dois factores conjugados: o homem (ausente) e o mar (a perder de vista).

at01

Para a imagem de L’homme atlantique, MD recorreu a planos não utilizados do seu filme anterior Agatha ou les lectures illimitées (1981). Não são apenas as personagens durasianas que aparecem umas através das outras, num delicado e estranho jogo de transparecer, nem apenas os livros que se chamam e reflectem uns nos outros, mas também os filmes que se corrigem e ressurgem noutros filmes, tornando-se a projecção numa espécie de palimpsesto espectral que reanima e relança permanentemente a obra e o universo durasianos. Todavia, as imagens que sobraram de Agatha não eram suficientes para acompanhar o texto de L’homme atlantique. E então MD vale-se do negro, conduzindo-nos, desta maneira, à ruína fílmica de si mesma. Mas o negro não é aqui mera falta de imagens, é também, e talvez antes de mais, o exaltar da recusa da representação em que MD não pára de investir:

    É com este negro que Duras descobre toda a força de um texto sem imagem, radicalizando um gesto iniciado em obras anteriores. Se a rejeição da criação de imagens já havia sido invocada em Césarée e Les mains négatives, ou mesmo em Le camion, trabalho em que Duras se esquiva à representação, não pelo negro ou pelo uso de imagens previamente filmadas, mas pela opção da leitura de um guião de um filme inexistente em detrimento da sua realização, é aqui, através do negro, que essa recusa da representação pela imagem atinge a sua máxima expressão. (Ascensão, 2010: 270)

Convém relembrar que o negro não é novidade no cinema, sempre existiu desde os seus primórdios. Há diferentes possibilidades de ocorrência de negro nos mais diversos filmes: ora usado brevemente (entre planos, por exemplo), ora surgindo como efeito (nomeadamente o fundido a negro), ora presente de forma mais extensa (separando sequências, etc.). Sem esquecer que a projecção sucessiva de imagens necessita do negro no intervalo de cada fotograma. O negro é, assim desde logo, fundamental no dispositivo cinematográfico. E o modo como é obtido e surge projectado na tela é decisivo para a compreensão do filme. Uma das demandas mais prementes de MD era alcançar o “filme da voz da leitura do texto”, um filme de pura escuta – com os largos minutos de negro de L’homme atlantique, enquanto a voz de MD habita o espaço por inteiro, essa aspiração é atingida finalmente.

Mas se a imagem é posta em falha, o mesmo não acontece com o ato de realizar, com o gesto de filmar – por diversas vezes, e não por acaso, a palavra “câmara” surge no texto lido. O cinema é problematizado, mesmo posto em causa, mas não para ser dizimado, antes exponenciado. A obra de MD torna-se, deste modo, arena: um lugar onde se luta e resiste à própria matéria fílmica e, ao mesmo tempo, se sublima o filme/o filmar.

Quanto à versão livro de L’homme atlantique, não é de todo o argumento do filme, no seu sentido tradicional e funcional. Na verdade, existe o argumento (texto com os diálogos, a acção e as indicações técnicas para a realização da obra cinematográfica, que descreve objectivamente o que deveria acontecer no plano e que vai sendo progressivamente afinado ao longo da rodagem), existe o filme propriamente dito e, em MD, existe o “filme em texto” feito depois do filme, segundo o filme (este, em geral, não apresenta o ideal do filme, mas o que acontece realmente no filme, abarcando acidentes, improvisações, falhas, milagres assombrosos). O “filme em texto” engloba assim argumento, planificação e descrição efectiva do que se vê, ouve e transvê ao longo do filme. Trata-se de um objecto multifacetado, que alarga simultaneamente o espaço literário e o espaço cinematográfico. Todavia, no livro L’homme atlantique não há espaço para derivas, comentários, considerações ou notas de rodapé (como sucedeu com filmes-livros anteriores, veja-se Nathalie Granger (1973) e Le camion (1977), em que se dava, num tom neutro, uma espécie de explicação, de decomposição da imagem, misturando o que se pode ver dentro e fora da personagem, o que se pode transver no plano). O que está aqui escrito é a voz de MD ao longo de todo o filme: uma declaração de amor, uma despedida, um reencontro permanente, como o mar que vai e vem – “Vivo um amor entre o viver e morrer” (Duras, 1982: 31). No livro não há referência a planos, não se percebe em que partes se vê Yann deambular pelo átrio majestoso do hotel, em que momentos vemos o mar, ou quando naufragamos no negro. O texto é aqui a mise en scène da escrita na voz de MD, voz projectada na sala de cinema.

A câmara é determinante nesta escrita, assim como a permanente insistência de MD em relação ao olhar – como se fosse a escrita a filmar. A frase que abre L’homme atlantique é muito significativa, neste âmbito: “Não olhará a câmara. A não ser quando lho exigirem” (1992: 7). Fica dado, de maneira inquestionável, o mote da obra: estamos diante de um “filme em texto” e MD dirige tudo, incluindo o olhar de Yann (ou o nosso). À questão da câmara alia-se a voz autoritária de quem dirige: MD dita os passos de Yann e de tudo quanto acontece no filme-livro (quer o vejamos ou não), abrangendo o nosso olhar (o “vous”, que MD permanentemente interpela e dirige, é Yann, ou o espectador, ou ambos). Parece que assistimos a um exercício de hipnotismo, a que nos entregamos de livre vontade, tal como Yann – “Tentará olhar até à extinção do seu olhar, até à cegueira, através da qual tentará ainda ver. Até ao fim.” (Duras, 1982: 8).

Ao longo do seu percurso, MD foi sendo frequentemente questionada sobre os motivos que a teriam levado a enveredar e a insistir, sobretudo a partir da década de 1970, no cinema. A autora foi dando diversas respostas, variando as razões para tal desvio da sua escrita, até ter compreendido que não existia efectivamente desvio, era sempre de escrita que se tratava, tanto na página quanto na tela. Depois, só verdadeiramente depois, surgiria o magnetismo pela sala de cinema, pelas suas possibilidades de confluência/convergência/afluência (termos que facilmente se associam ao universo aquático durasiano), como a própria admite:

    O problema é perceber o porquê dos meus filmes. Todas as razões que arranjo há anos são imprecisas, não consigo percebê-lo claramente. (…) Talvez seja o desejo de fazer ‘escritos colados’ sobre imagens. Ou talvez seja, simplesmente, o volume do cinema que me atrai, o da sala de cinema, esse ponto de convergência. (1996c: 139)

 

A ESCRITA-GESTO

Talvez o mais correcto seja reformular o início deste trabalho. MD fez livros, peças de teatro, filmes: escreveu. Todo o seu trabalho e actividade se resumem a esse gesto: a escrita. E no escrever a autora pôde realizar a sua maior ambição: o destruir, o “descriar”, o resistir. A palavra é, sem dúvida, a matéria privilegiada de MD, mesmo no que diz respeito aos seus filmes, é com ela que a autora pretende escapar à ordem. Mas a palavra é trabalhada não de forma directa, como se fosse uma ferramenta ou uma arma, é-o antes de maneira transtornante e transbordante, até atingir o seu negativo (branco na página, negro na tela). Susana Duarte dá, precisamente, conta disso:

O transbordamento de géneros e de artes em MD dará lugar a uma perturbante transubstanciação contínua. Graças a um gesto texturante, o texto é um filme que é um livro, e estes, que têm origem já noutros filmes ou livros anteriores, são ambos (tanto o filme, quanto o livro) a voz de uma escrita a reescrever-se. Marie-Claire Ropars-Wuilleumier explora exaustivamente estas questões, falando em “intertextualidade reversível”. Não se trata, contudo, de uma mera transferência, ou adaptação. É a própria obra que, originalmente, possui um estado duplo (ou triplo, se pensarmos no teatro durasiano), que existe morfologicamente em movimento: é o mesmo gesto que escreve e filma, que filma e reescreve.

    [O] filme age no livro, como o texto age no filme (…). Mas é necessário passar pelo cinema para escutar, na literatura, o despegamento da linguagem, e regressar à literatura para fazer escutar no cinema a irrupção da palavra. (…) [J]á não se trata de um vaivém variável entre filmes e textos, mas da concretização de um filme-texto com duas faces, literária e cinematográfica, sendo que uma (mas qual?) não passa do reverso da outra, sem espaço para essa. (Ropars-Wuilleumier, 1990: 178)

Segundo o poeticista Henri Meschonnic, existe apenas uma poesia: a que transforma a própria poesia (2006: 125), e apenas uma escrita: a que se torna forma de vida (idem: 126). Sendo que o poeta não se deve deixar ludibriar:

    O poeta, mais e diferentemente de qualquer outro, tem o dever de lucidez. Esse exercício mínimo que pertence a todos e que é o dever do pensamento. A sua ética, a sua política. (…) Há uma crítica do olhar, uma inteligência do ver e do ver através, como quando se diz ler nas entrelinhas, do ver o que é o ver, que só a poesia pode fazer. (ibidem, 2006: 211)

Compete ao poeta sobrever e ao leitor captar, projectar nas entrelinhas. Tal como no cinema de MD, cuja escrita trabalha poeticamente imagem e voz, ultrapassando a dimensão do visível, para recuperar o sensível, essa experiência convergente que pode constituir-se na sala de cinema: “Um livro aberto também é a noite” (Duras, 2009a: 29). Noite do cinema, cinema da escrita: L’homme atlantique é uma voz na escuridão, e essa voz é uma poética e uma potência. No fundo, MD filma para que se ouça a escrita, filma para que nos deslumbremos na falha dos seus livros.

at02
 

Bibliografia
ASCENSÃO, Joana (2010), folha de sala de L’homme atlantique, Lisboa, Cinemateca Portuguesa Museu do Cinema, 5 e 8 de março 2010.
BLANCHOT, Maurice (2001), “Détruire”, L’amitié, Paris, Éditions Gallimard, 132-136.
BORGOMANO, Madeleine (2001), “L’œuvre de Marguerite Duras et la dérive des genres”, in AA.VV., L’éclatement des genres au XXéme siècle, Paris, Presses Sorbonne Nouvelle, 211-220.
DUARTE, Susana (2006), “A propósito de quatro curtas-metragens de Duras”, in blogue Ainda não começámos a pensar, 5 de junho de 2006.
DURAS, Marguerite (1992), L’homme atlantique, Paris, Les Éditions de Minuit.
MESCHONNIC, Henri (2006), La rime et la vie, Paris, Éditions Gallimard.
ROPARS-WUILLEUMIER, Marie-Claire (1990), Écraniques – Le film du texte, Presses Universitaires de Lille.
SARRAZAC, Jean-Pierre (1989), “Duras: théâtre-testament”, Théâtres intimes, Arles, Actes Sud, 147-164.

Mathilde Ferreira Neves
Investigadora do Grupo Intermedialidades do ILCML
Membro da equipa editorial da ESC:ALA

Actividades organizadas pelo ILC em 2015

NOTA: Para ter acesso à informação relativa às publicações de 2015, consultar as secções dedicadas às revistas (Cadernos de Literatura Comparada, eLyra e ESC:ALA), colecções (Estudos de Literatura Comparada, Pulsar, Cassiopeia e Libretos) e outros volumes (co-)editados pelo ILC.

 

Colóquios Nacionais e Internacionais

Annemarie Schwarzenbach e a Literatura de Viagens na Europa dos anos 30

Tipo: Jornada Internacional
Datas: 20 de março de 2015
Local: Faculdade de Letras da Universidade do Porto
Organização: Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa

Annemarie Schwarzenbach foi uma escritora, jornalista, fotógrafa, viajante suíça. As obras incluem mais de 300 artigos, uma vintena deles sobre Portugal em 1941 e 42. O interesse dentro da literatura de viagens europeia é evidente, desde logo pelo número de edições e traduções das obras da autora – quer das obras ficcionais, quer dos relatos de viagem –, como ainda pelas questões de investigação que suscita em torno de formas de representação do outro, a envolver texto e imagem, no campo das relações interculturais ou também no que toca a uma poética do género viático.
Os anos 30, período em que emerge a escrita de Annemarie Schwarzenbach, foram uma década frutífera na literatura de viagens na Europa, nomeadamente no âmbito de uma escrita por mulheres, na continuação das práticas dos anos 20 e na procura de outros espaços, outros horizontes, outras respostas aos dilemas postos depois da 1ª Grande Guerra. Muitos procuraram então, aliado ao espírito de aventura, encontrar-se, ter novas perspetivas identitárias.
Nesta jornada, o Instituto de Literatura Comparada convida alguns especialistas a analisar a obra da viajante suíça no enquadramento das literaturas europeias dedicadas às viagens sobretudo as intercontinentais. Os contextos dos diferentes viajantes serão estudados nos respetivos textos. Desse modo será possível ver a obra da autora suíça no contexto mais global da literatura europeia e, em particular, da literatura de viagens, apontando para uma reflexão em torno de três grandes eixos de reflexão: a obra de Annemarie Schwarzenbach, a presença de escritores-viajantes estrangeiros no Portugal dos anos 30, a literatura de viagens na Europa dos anos 30.
Esta Jornada será acompanhada por uma exposição fotográfica cujo registo já esteve exposto no Centro Cultural de Belém, em 2010 de uma forma mais alargada. A exposição terá lugar na FLUP e num outro espaço externo – seria muito importante que a Reitoria pudesse acolher a exposição durante o período da Jornada.

Organização
Gonçalo Vilas-Boas
Maria de Fátima Outeirinho

 

Géographie, Langue et Textes Littéraires: Écrire le lieu, fictionnaliser l’espace


Tipo: Vème Colloque Luso-Hispano-Français
Datas: 23-24 de abril de 2015
Local: Faculdade de Letras da Universidade do Porto
Organização: Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa

Depuis le XIXème, et plus précisément des ouvrages de Jules Verne, une certaine osmose entre l’approche géographique et la mise en fiction narrative s’est consolidée et a fait œuvre en littérature. Un souci théorique et thématique « géocritique » s’est fait jour au XXème siècle qui se penche sur des interrogations nouvelles autour des représentations linguistico-littéraires du lieu, et des approches géographiques du fait littéraire aux intersections disciplinaires fécondes.
En effet, la critique littéraire du XXIème siècle hérite de, et renforce une lecture et un descriptif spatial du récit, d’autant plus que l’enracinement purement « national » du phénomène scriptural devient problématique à l’heure de la mondialisation, de l’hybridation des repères et des identités narratives.
Plus que jamais, géographie, langue et littérature ont partie liée dans la perception du lieu ; d’un lieu en tant que constructo, espace façonné, habité, investi symboliquement par l’Homme. Dans cette approche, plusieurs perspectives critiques et lignes de recherche sont venues enrichir et complexifier, voire systématiser, les textes au carrefour du littéraire, du scientifique et du géographique, à savoir la géocritique, l’imagologie, l’écocritique, la littérature de voyage ou les études exiliques, entre autres.

Comissão Organizadora
José Domingues de Almeida
Maria de Fátima Outeirinho

 

Aviateurs-Écrivains | Écrivains-Aviateurs: témoins et écrivains de l’histoire

Tipo: Colloque international
Data: 10-11 de setembro de 2015
Local: Biblioteca Municipal de Vila do Porto, Santa Maria – Açores
Organização: Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa, Universidade dos Açores, APEF

L’aviation a joué un rôle majeur dans l’Histoire du XXe siècle, de la conquête de l’air, lors des vols pionniers des frères Wright, aux débuts de l’aviation civile, en passant par les moments marquants des deux guerres mondiales, où l’avion devient instrument de guerre.
Soudain, non seulement il devient possible de survoler le monde, de l’observer d’en-haut, de changer de perspective, mais aussi de se rendre rapidement ailleurs, introduisant par là dans l’espace européen une double conséquence de mobilité et d’interaction/intégration dont les témoignages méritent d’être creusés.
L’aviation – fait éminemment transatlantique dès le départ, puisque aux apports technologiques et aux implications sociales et représentations littéraires tant nord-américains qu’européens -, change dès lors radicalement aussi bien la perception de l’espace-temps, – source d’un nouvel imaginaire et d’une féconde inspiration fictionnelle -, que l’approche mobile transatlantique et intra-européenne.
Maints ont été les auteurs qui ont pris la navigation aérienne pour sujet. Moins nombreux sont ceux qui ont été simultanément aviateurs et écrivains. Outre l’incontournable Antoine de Saint-Exupéry, – pour qui « voler ou écrire, c’est un tout » -, en France, Joseph Kessel, Jules Roy (peu connus du grand public, ayant reçu pourtant le Grand Prix de l’Académie Française), mais aussi Romain Gary et André Malraux, combinent ces deux qualités. Ailleurs, on soulignera le rôle et l’apport des Américains Amélia Earhart et Richard Bach, et des Britanniques Roald Dahl, William Ash et Nevil Shute.
À côté de ces auteurs, plus ou moins connus et reconnus, des professionnels de l’air sans ambition littéraire qui ont fini par laisser leur témoignage historique par écrit, n’ayant souvent publié qu’un ou deux livres, ont aussi une place assurée dans ce corpus. C’est le cas des pionnières françaises Valérie André, Jacqueline Auriol et Élisabeth Boselli, mais aussi des aviateurs André Turcat et Henri Fabre. Pionniers de l’aviation, pilotes d’essai, pilotes de guerre, ils ont en commun d’avoir consacré leur vie à l’aviation et voulu en laisser un témoignage pour les générations futures. Leurs textes – ceux des écrivains-aviateurs tout comme ceux des aviateurs-écrivains –, relèvent d’une passion pour l’aviation, que Jules Roy décrit à merveille : « Mais notre amour à nous, c’est l’aviation. Nous quitterons tout. L’avion remplacera pour nous tout autre amour. Malheur à celui qui n’a pas compris cela ».
Qu’ils soient donc écrivains-aviateurs ou aviateurs de métier devenus écrivains occasionnels, ils nous ont légué un patrimoine inestimable – en prise directe avec l’actualité, souvent entre témoignage historique et fiction – et dont les enjeux sont encore à étudier. L’Université des Açores, l’Institut de Littérature Comparée Margarida Losa, la LPAZ et l’APEF invitent les chercheurs que cette thématique intéresse à se rendre sur l’île de Santa Maria, aux Açores – endroit emblématique pour son rôle essentiel dans l’Histoire de l’aviation transatlantique et pour son emplacement géographique privilégié – en vue d’une réflexion sur cette littérature inspirée par l’aéronautique, autour des axes suivants :

Écrivain-aviateur, témoin et écrivain de l’Histoire ; Contributions aux représentations de l’espace et du voyage; Valeur documentaire vs valeur esthétique de la littérature sur l’aviation; Figure de l’aviateur-écrivain et de l’écrivain-aviateur ; Enjeux fiction et réel; Apports pour l’histoire de l’aviation; Apports pour (re)penser l’Europe et les relations/ communautés transatlantiques.

Organização
Álvaro Nunes
António Sousa Monteiro
Dominique Faria
José Domingues de Almeida
Maria de Fátima Outeirinho

 

Fidelino Figueiredo: Filosofia e Literatura

Tipo: Colóquio Internacional
Data: 12-15 de outubro de 2015
Local: Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Instituto Camões, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Organização: Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa, Instituto de Filosofia da Univ. Porto

Fidelino de Figueiredo (1888-1967) é uma figura exemplar para os estudos que cruzam a Filosofia com a Literatura. Tendo-se afastado do ambiente intelectual português por razões políticas, nunca fez do desterro um refúgio. Antes o aproveitou para alargar os horizontes do seu pensamento. O ensino − em países tão distintos como a Espanha, o Brasil ou os Estados Unidos – libertou-o das amarras do nacionalismo ideológico, tornando-o cada vez mais sensível ao que Goethe chamou um dia a “Literatura do Mundo”, um conceito que só se entende (em 1827 como hoje) se acreditarmos numa filosofia que possa transcender as identidades individuais ou nacionais. Para compreender a sua obra, temos pois de exercitar em nós um espírito comparatista que, no dizer de Cláudio Guillén, exclui os extremos e
aprecia a deslocação. A visão que o século XX sobre ele desenvolveu nem sempre valorizou a sua arte ponderada, feita de angústias e dúvidas, de perguntas mais do que de respostas. Os que dividiram a sua obra em duas partes, a de cunho literário e a de crítica filosófica, não entenderam que ele as não dividia: eram partes alternadamente visíveis da mesma moeda. Os que o classificaram pelo seu pendor conservador, dizendo-o “setecentista” ou “oitocentista”, acreditavam num modelo amoral para as Humanidades, impedindo-as de qualquer dimensão espiritual para as afirmarem como modernas.

Organização
Celeste Natário
Maria Luísa Malato

 

Ofício Múltiplo: Poetas em Outras Artes

Tipo: Colóquio Internacional
Data: 22, 23 e 24 de outubro de 2015
Local: Faculdade de Letras da Universidade do Porto
Organização: Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa

É cada vez mais frequente os poetas associarem a criação verbal e o recurso a outras linguagens artísticas, quer em formas híbridas ou compósitas, quer recorrendo alternadamente à palavra escrita, às artes plásticas, à música, a diferentes meios audiovisuais, digitais e performativos. Se este trânsito se tornou mais comum na criação contemporânea, que explora o impacto das relações de intermedialidade e transmedialidade, já ao longo do século XX muitos autores se dividiam por um ofício múltiplo, ora votados à poesia escrita, ora trabalhando a imagem visual, ou a imagem em movimento, ou outros processos criativos. E todavia, a assimilação teórica e crítica da obra desses autores como um todo tem-se revelado lenta, sendo mais comum tratar-se apenas um dos seus campos criativos, ou, na melhor das hipóteses, considerar-se os vários domínios de criação, mas separando-os em função de abordagens críticas sem qualquer diálogo entre si. Acresce que as dificuldades em tratar criticamente este tipo de obras fez com que algumas permanecessem injustamente esquecidas ou pouco estudadas.
São estes autores – plurais e diversificados nas linguagens artísticas a que recorrem – que pretendemos estudar sob a ideia de um ofício múltiplo. Poderão estes criadores facultar-nos uma nova perspetiva dos diálogos entre a poesia e as outras artes nos séculos XX e XXI? Constituirão um cânone específico? Levantam questões novas no plano da teoria e da crítica? Levam-nos a repensar a ideia de poesia e o lugar da poesia na relação com as outras artes? Permitem-nos entender de que modo as correlações entre as artes foram sendo equacionadas e avaliadas? Eis as questões que orientaram os trabalhos do colóquio.

Organização
Joana Matos Frias
Pedro Eiras
Rosa Maria Martelo
Mathilde Ferreira Neves

 

Viagens e Outros Labirintos. Homenagem a Gonçalo Vilas-Boas

Tipo: Colóquio Internacional
Data:3-5 de dezembro de 2015
Local: Faculdade de Letras da Universidade do Porto
Organização: Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa e Centro de Investigação Transdisciplinar “Cultura, Espaço e Memória”

De 3 a 5 de dezembro de 2015 realizou-se na Faculdade de Letras da Universidade do Porto o colóquio “Viagens e Outros Labirintos. Homenagem a Gonçalo Vilas-Boas”, co-organizado pelo ILC – Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa, pelo DEG – Departamento de Estudos Germanísticos e pelo CITCEM – Centro de Investigação Transdisciplinar «Cultura, Espaço e Memória». A comissão organizadora foi formada por docentes da FLUP membros dos Institutos e do Departamento promotores da homenagem: Ana Paula Coutinho, John Greenfield, Maria de Fátima Outeirinho, Rosa Maria Martelo e Teresa Martins de Oliveira.
Pretendeu-se reunir no Colóquio um amplo grupo de Estudiosos Colegas e Amigos do Professor e Investigador Gonçalo Vilas-Boas, não só de Portugal mas também dos muitos outros países com quem estabeleceu laços próximos de amizade e de colaboração científica, numa reflexão que promovesse um debate alargado e pluriperspetívico sobre as principais áreas dos vastos campos de interesse e de investigação que privilegiou ao longo da sua carreira. Foram, assim, destacadas as seguintes áreas de estudo: literatura de expressão alemã, literatura comparada, literatura policial, literatura de viagens e estudo de mitos. Nelas se enquadraram as 33 comunicações apresentadas nas quatro diferentes línguas propostas: português, alemão, inglês e francês, ao longo de dois dias e meio.
O Colóquio contou com a participação de muitos docentes e investigadores da FLUP, bem como de oradores provenientes não só de diferentes universidades e institutos superiores de Portugal (Universidades de Coimbra, Porto, Aveiro, Minho, Nova de Lisboa, Católica de Lisboa, Institutos Politécnicos do Porto e de Leiria) mas também de seis universidades estrangeiras, nomeadamente, da Alemanha, Eslováquia, França, Grã-Bretanha, Noruega e Polónia.
As sessões contaram com grande afluência, salientando-se a presença de docentes da FLUP das mais diferentes áreas, bem como de outras universidades portuguesas e ainda de estudantes dos três ciclos de estudos e muitos antigos alunos do Homenageado. De destacar também a presença em algumas das sessões de Autoridades Académicas, Diplomáticas e Consulares e ainda de representantes de instituições com as quais o Professor Vilas-Boas manteve uma colaboração privilegiada.
As muitas comunicações e as discussões que se lhes seguiram puderam não só lembrar a vasta obra cientifica que Gonçalo Vilas-Boas construiu e que o tornou uma referência da Germanística, não só em Portugal como também no estrangeiro, tanto nos países de língua alemã como em muitos outros países europeus, como, principalmente, dar continuidade e discutir muitos dos seus temas de eleição, num diálogo aberto e muito plural. No primeiro dia do Congresso foi inaugurada na Biblioteca da FLUP uma exposição dedicada ao docente e investigador Gonçalo Vilas-Boas, que reuniu grande parte das suas obras e ainda documentação vária relativa à sua actividade lectiva, científica e de divulgador. A exposição, que ficou patente até janeiro de 2016, contou também com numerosas visitantes.

Organização
Ana Paula Coutinho
John Greenfield
Maria de Fátima Outeirinho
Maria Teresa Oliveira
Rosa Maria Martelo

 

Seminários Abertos

Objectos Ofuscantes: Mutações do Livro de Poesia no Séc. XXI

Conferencista: Gustavo Rubim
Data: 12 de março de 2015
Local: Faculdade de Letras da Universidade do Porto
Organização: Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa

Este seminário enquadra-se na linha de investigação “Interartes”, da Unidade, bem como no Seminário Poéticas Comparadas do Mestrado em Estudos Literários Culturais e Interartes.

 

Seminários do Fim do Mundo – Série III

Conferencistas: Rosa Maria Martelo, Lígia Bernardino e Luca Argel
Data: 19 de março de 2015
Local: Faculdade de Letras da Universidade do Porto
Organização: Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa

O que é o fim do mundo? Um juízo universal da humanidade, conforme dizem os textos vetero- e neotestamentários? Uma catástrofe ecológica, global e iminente, provocada pelo homem? A alegoria de um mundo que perdeu as suas (meta)narrativas, vogando sem verdade e sem destino, após Auschwitz e Sarajevo? O pretexto para a sedução do espectáculo, entre filmes- catástrofe e um delicioso imaginário da destruição? Ou o confronto de cada qual com a sua morte própria? Por que nos fascina e aterroriza este tema milenar, nunca resolvido – e o que temos a ganhar com a exploração do nosso próprio terror? Para estudar o imaginário do fim do mundo, o Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa organiza uma nova série de seminários abertos, nos equinócios e solstícios de 2015.

 

Seminários do Fim do Mundo – Série III

Conferencistas: Isabel Cristina Rodrigues, Paulo Alexandre Pereira, Raquel Sousa
Data: 18 de junho de 2015
Local: Faculdade de Letras da Universidade do Porto
Organização: Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa

O que é o fim do mundo? Um juízo universal da humanidade, conforme dizem os textos vetero- e neotestamentários? Uma catástrofe ecológica, global e iminente, provocada pelo homem? A alegoria de um mundo que perdeu as suas (meta)narrativas, vogando sem verdade e sem destino, após Auschwitz e Sarajevo? O pretexto para a sedução do espectáculo, entre filmes- catástrofe e um delicioso imaginário da destruição? Ou o confronto de cada qual com a sua morte própria? Por que nos fascina e aterroriza este tema milenar, nunca resolvido – e o que temos a ganhar com a exploração do nosso próprio terror? Para estudar o imaginário do fim do mundo, o Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa organiza uma nova série de seminários abertos, nos equinócios e solstícios de 2015.

 

Seminários do Fim do Mundo – Série III

Conferencistas: Margarida Gil dos Reis, Matilde Vieira, Vitor Ferreira
Data: 24 de setembro de 2015
Local: Faculdade de Letras da Universidade do Porto
Organização: Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa

O que é o fim do mundo? Um juízo universal da humanidade, conforme dizem os textos vetero- e neotestamentários? Uma catástrofe ecológica, global e iminente, provocada pelo homem? A alegoria de um mundo que perdeu as suas (meta)narrativas, vogando sem verdade e sem destino, após Auschwitz e Sarajevo? O pretexto para a sedução do espectáculo, entre filmes- catástrofe e um delicioso imaginário da destruição? Ou o confronto de cada qual com a sua morte própria? Por que nos fascina e aterroriza este tema milenar, nunca resolvido – e o que temos a ganhar com a exploração do nosso próprio terror? Para estudar o imaginário do fim do mundo, o Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa organiza uma nova série de seminários abertos, nos equinócios e solstícios de 2015.

 

À volta do Báltico: o Báltico na Cartografia Setecentista

Conferencista: João Garcia (FLUP)
Data: 12 de Outubro de 2015
Local: Faculdade de Letras da Universidade do Porto
Organização: Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa

Este seminário enquadra-se no grupo de investigação Inter/Transculturalidades no âmbito do Programa Estratégico.

 

Historical Memory and Visual Media: Poland and Russian in Contemporary Cinema

Conferencista: Katarzyna Pisarska (Univ. Lublin)
Data: 13 de Outubro de 2015
Local: Faculdade de Letras da Universidade do Porto
Organização: Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa

Este seminário enquadra-se no grupo de investigação Inter/Transculturalidades no âmbito do Programa Estratégico.

 

As línguas à volta do Báltico

Conferencista: João Veloso (FLUP)
Data: 21 de outubro de 2015
Local: Faculdade de Letras da Universidade do Porto
Organização: Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa

Este seminário enquadra-se no grupo de investigação Inter/Transculturalidades no âmbito do Programa Estratégico.

 

A glimpse into a Baltic country: Lithuania

Conferencista: Saule Caplikaite
Data: 26 de outubro de 2015
Local: Faculdade de Letras da Universidade do Porto
Organização: Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa

Este seminário enquadra-se no grupo de investigação Inter/Transculturalidades no âmbito do Programa Estratégico.

 

El Policíaco Sueco (das origens à saga Millenium de Stieg Larsson e a sua continuação

Conferencista: Martin Lexel
Data: 23 de outubro de 2015
Local: Faculdade de Letras da Universidade do Porto
Organização: Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa

Este seminário enquadra-se no grupo de investigação Inter/Transculturalidades no âmbito do Programa Estratégico.

 

Conferências: “A Literatura sob a Perspectiva do Sublime Feminista” e “Os Retornos e a Memória Colonial: Um Assunto (Afinal) de Mulheres

Conferencistas: Rosana Cássia Kamita (UFSC/CNPq) e Simone Pereira Schmidt (UFSC/CNPq)
Data: 15 de dezembro de 2015
Local: Faculdade de Letras da Universidade do Porto
Organização: Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa

Este seminário enquadra-se nos grupos de investigação Inter/Transculturalidades e InterSexualidades no âmbito do Programa Estratégico.

 

Seminários do Fim do Mundo – Série III

Conferencistas: Zulmira Santos, Pedro Sobrado, Tiago Sousa Garcia
Data: 17 de dezembro de 2015
Local: Faculdade de Letras da Universidade do Porto
Organização: Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa

O que é o fim do mundo? Um juízo universal da humanidade, conforme dizem os textos vetero- e neotestamentários? Uma catástrofe ecológica, global e iminente, provocada pelo homem? A alegoria de um mundo que perdeu as suas (meta)narrativas, vogando sem verdade e sem destino, após Auschwitz e Sarajevo? O pretexto para a sedução do espectáculo, entre filmes- catástrofe e um delicioso imaginário da destruição? Ou o confronto de cada qual com a sua morte própria? Por que nos fascina e aterroriza este tema milenar, nunca resolvido – e o que temos a ganhar com a exploração do nosso próprio terror? Para estudar o imaginário do fim do mundo, o Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa organiza uma nova série de seminários abertos, nos equinócios e solstícios de 2015.

 

Filmes, Documentários e Exposições

Documentário “Abril Duras no Porto”

Realização: Joana Rodrigues
Data: 17 de abril de 2015
Local: Casa das Artes
Organização: Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa

No dia 17 de Abril, pelas 18h, na Casa das Artes (Rua António Cardoso/Rua Ruben A – Porto), foi pela primeira vez projetado o documentário “Abril Duras no Porto” (48’), com realização e montagem de Joana Rodrigues e som de João Rodrigues.
Foi também feita apresentação de duas publicações:
Marguerite Duras: palavras e imagens da insistência/mots et images de l’insistance, Instituto de Literatura Comparada, Coleção Libretos, 2015, com artigos de Jean Cléder, Arnaud Rykner, David Pinho Barros, Elisabete Marques, Adília Carvalho, Rita Novas Miranda, Mathilde Ferreira Neves, Patrícia Lino, Ana Paula Coutinho, Maria de Fátima Outeirinho,Eduarda Keating e Marie-Manuelle Silva; testemunhos (teatro) de Carlos Pimenta, Nuno Carinhas, Rosa Quiroga, Luís Mestre e de (cinema), Regina Guimarães, além de colaborações artísticas.
Duras belas Dizem/Duras exquise. Instituto de Literatura Comparada, 2015, com gravuras de Adriana Romero, Bárbara C. Branco, Carolina Grilo Santos, Catarina Real, Joana Gomes, Joana Patrão, Margarida Ramos, e textos de Graciela Machado, Ana Paula Coutinho e Joana Matos Frias.
Completar-se-á assim o ciclo «100 anos com Marguerite Duras», desencadeado pelo Projeto “Abril Duras no Porto”- uma iniciativa do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa -, que envolveu vários agentes e organismos culturais desta cidade, nomeadamente: Alliance Française do Porto, Cineclube do Porto, Culturprint, Direção Regional da Cultura do Norte, Espaço Mira, Faculdade Letras do Porto, Institut Français du Portugal, Reitoria da Universidade do Porto, Mala Voadora, Medeia Filmes, e Teatro Nacional São João.
Esta atividade enquadra-se no grupo de investigação Inter/Transculturalidades.

 

Exposição “Luz Acesa nos Bastidores”

Ilustrador: Luis Manuel Gaspar
Data: 24 de outubro a 24 de novembro de 2015
Local: Palacete Viscondes de Balsemão
Organização: Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa

Esta atividade enquadra-se no grupo de investigação Intermedialidades.

 

Exposição bibliográfica e documental na Biblioteca Central da FLUP

Organização: Gonçalo Vilas-Boas
Data: 1 de outubro a 5 de novembro de 2015
Local: Faculdade de Letras da Universidade do Porto
Organização: Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa

Esta atividade enquadra-se no grupo de investigação Inter/Transculturalidades.

 

Projeção do filme: Tränstromer lê o seu poema “Baltic” Östersjöar

Realização: Eva & James Wine
Data: 11 de novembro de 2015
Local: Faculdade de Letras da Universidade do Porto
Organização: Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa

Esta atividade enquadra-se no grupo de investigação Inter/Transculturalidades.

Jornada de Estudos “Le Tiers Inclus à l’Âge des Migrations”

Cette Journée d’Études entend procurer un espace et un rendez-vous de réflexion en français sur les apports, le rôle et le témoignage de la figure de l’écrivain frontalier sur la question – on ne peut plus actuelle – de l’inclusion-exclusion sociale, culturelle et identitaire, dans le contexte plus vaste des mouvements migratoires et transfrontaliers qui ont l’Europe pour point de départ, destination/installation, ou lieu de passage / transit.

Dans ce sens, l’Organisation de cette Journée restreindra fortement l’éventail des approches possibles à trois axes centraux, décisifs et exclusifs pour le débat que nous voulons tenir, voire poursuivre. À savoir:

1. L’étude d’écrivains dont les poétiques se trouvent très explicitement ciblées plus haut, dans le préambule. Pour l’exemple, nous avancerons des noms tels que Fouad Laroui, Alty Manço, Malika Madi, Leonora Miano;
2. L’étude d’écrivains en situation / statut frontalier qui, à partir des années 1990, vivent et écrivent en conséquence des changements géopolitiques et géoculturels opérés à l’échelle mondiale;
3. L’étude d’auteurs de langue française se penchant très clairement sur des questions et vécus migratoires.
 

PROGRAMME

Salle des Réunions (2e étage)

09.00 Accueil et secrétariat

09.30 Ouverture protocolaire

10.00 ALTAY MANÇO (IRFAM – Belgique)
Conférence d’ouverture : Métissages 100 %  : un roman au service du contact culturel
[Présentation : José Domingues de Almeida]

10.45 Pause-café

11.00 Séance 1
[Président de séance : Ana Paula Coutinho]

JOSE DOMINGUES DE ALMEIDA (Un. Porto / ILC – Portugal) : Altay Manço et le pourcentage métis, avec la Turquie en fond

MARGARITA GARCIA CASADO (Un. de Cantabria – Espagne) : Le grand voyage d’Ismaël Ferroukhi, cheminement vers un nouveau positionnement identitaire

CRISTINA ÁLVARES (Un. do Minho – Portugal) : « Iranienne et fière de l’être »? Intégration sociale et intégrité éthique chez Chahdortt Djavann et Marjane Satrapi

ANA BELEN SOTO (Un. Europea de Madrid – Espagne) : Marzena Sowa : Écrire pour témoigner de l’expérience frontalière
Échange

13.00 Déjeuner offert par l’Organisation

14.30 Séance 2
[Président de séance : Maria de Fátima Outeirinho]

ANA PAULA COUTINHO (Un. Porto / ILC – Portugal) : Le « tiers inclus » d’un pays sans frontières : une approche de Fouad Laroui

PILAR ARNAU I SEGARRA (Un. de les Illes Balears – Espagne) : Voix d’ailleurs, voix d’ici. Pour une approche interculturelle de l’écriture littéraire à travers les textes des écrivains d’origine maghrébine résidant au sud de l’Europe

ANA MARIA ALVES (Inst. Politécnico de Bragança – Portugal) : La figure de Nancy Huston – écrivain transfrontalier. Entre exil et écriture l’intermédiaire du tiers et son langage

ISABELLE SIMÕES MARQUES (Un. Aberta & CLUNL – Portugal) : Migrer vers une autre langue : le cas d’Agota Kristof ou le défi de « l’analphabète »

16.15 Pause-café

16.30 Séance 3
[Président de séance : José Domingues de Almeida]

MARIA DE FÁTIMA OUTEIRINHO (Un. Porto / ILC – Portugal) : Une logique du tiers-inclus permettrait-elle d’approcher l’écrivain frontalier, voire transfrontalier ?

DAWN NG (Un. Paris VIII – France) : Linda Lê, écrivaine franco-vietnamienne ou passeuse de frontières

FANNY MAHY (Un. de Porto – Portugal) : L’immigration dans la littérature jeunesse. Vers une compréhension du monde dans lequel on vit?

CLAUDE DUEE (Un. de Castilla-La Mancha – Espagne) : La migration de la langue espagnole vers la France

JULIE CORSIN (Un. de Castilla-La Mancha – Espagne) : Silvia Baron-Supervielle, écrivain transnationale en quête d’appartenance

Échange

Clôture

ORGANISATION
Ana Paula Coutinho (Un. Porto)
Maria de Fátima Outeirinho (Un. Porto)
José Domingues de Almeida (Un. Porto)