Call for Papers: magazine eLyra #15

ILCML

eLyra 15
CONTEMPORARY POETICS OF THE NON-ORIGINAL GENIUS
Call for Papers

If you’re not making art with the intention of having it
copied, you’re not really making art for the 21st century.
Kenneth Goldsmith

Diversos pensadores têm apontado como uma das características mais preponderantes das práticas artísticas da pós-modernidade – ou do pós-modernismo – a tendência para uma certa recusa dos pressupostos de originalidade, de criação individual e de propriedade autoral que em grande medida estiveram subjacentes ao processo histórico de construção da Modernidade, sobretudo a partir do Romantismo e de seu programa literário, conforme indicado, entre tantos autores, por M. H. Abrams em The Mirror and the Lamp: Romantic Theory and the Critical Tradition, cuja hipótese geral assinala a passagem de uma teoria mimética da representação enquanto espelho reflector de acções, para, no Romantismo, uma teoria expressiva da arte: da arte como exercício da fantasia do sujeito.

Em certa medida, à narrativa reconstituída por Abrams à entrada da segunda metade do século XX poderia dar-se uma continuidade fundada num novo elemento simbólico, a tela ou ecrã, quer considerando a sua significação propriamente interartística (a que subjazem as relações exogâmicas da literatura com os domínios das artes visuais, em particular com o tão modernista cinema), quer admitindo o seu valor sociocultural de dispositivo, responsável pelo agenciamento de vários tipos de lógicas hipertextuais e hipermediais, tão em voga na contemporaneidade. Quer dizer que, nesta perspectiva, o ecrã/ a tela poderão ser entrevistos como os grandes protagonistas daquele cultural turn que Fredric Jameson diagnosticou como definidor da emergência da pós-modernidade, ao mesmo tempo que representam a passagem de uma concepção do acto artístico assente no poder demiúrgico do próprio criador – “pequeño dios”, na inesquecível síntese de Vicente Huidobro – para uma concepção que visa evidenciar a força inexorável dos próprios meios e dos suportes materiais da expressão.

O distanciamento face a alguns dos pressupostos mais elementares e constitutivos da Modernidade tem sido assim transversal a vários campos artísticos e pode ser constatado e identificado em diferentes modalidades de gestos apropriatórios, alguns deles já claramente presentes na alta modernidade e em certas vanguardas artísticas, de Lautréamont a Apollinaire, passando por Braque e Picasso: num gesto anti-expressivo de pendor pós-romântico, T. S. Eliot apontou, por exemplo, para uma poesia que seria, ao mesmo tempo, “escape from emotion” e “escape from personality”, tomada por umimperativo moral do trabalho, do trabalho artístico, com uma dimensão também comunitária. A descrição de Eliot caberia na perfeição a obras como a de Oswald de Andrade, na qual, de acordo com a epigramática síntese de Décio Pignatari, poderíamos reconhecer uma poesia ready-made, uma poesia da posse contra a propriedade.

Historicamente, nas últimas décadas, estas manifestações de posse – da colagem à intertextualidade ou ao sampling, passando pelo pastiche ou pela paródia – têm-se intensificado e tido consequências decisivas para a própria esfera da arte, e/ou para a separação entre o artístico e o não-artístico, o literário e o não-literário, conforme exem- plarmente assinalou ainda Jameson nos seus ensaios de referência dedicados ao assunto. Trata-se, sem dúvida, de um aprofundamento cada vez mais problematizante, autorreflexivo e frequentemente irónico de práticas muito diversificadas, que na nossa actualidade se têm apresentado como uma demonstração de resistência ao avassalador presentismo, graças ao exercício de uma arte da memória muito especial, que o conceito de arquivo também poderá ajudar a esclarecer.

No domínio poético específico que nos interessa, o estudo de Marjorie Perloff publicado em 2010, Unoriginal Genius: Poetry by Other Means in the New Century, possibilitou uma visão sistemática destas questões em termos histórico-literários, fornecendo um conjunto de elementos que nos permitem observar a força do fenómeno nas propostas das últimas décadas à luz de um projecto como o do livro das Passagens de Walter Benjamin, passando pelo concretismo brasileiro, na direcção dos mais recentes exercícios provocatórios do norte-americano Kenneth Goldsmith. A proposta de Perloff encerra um (aparente) paradoxo que importa discutir, uma vez que o conceito de génio sobre o qual assentou todo o projecto filosófico e artístico moderno desde os grandes textos de Estética do século XVIII, ao pressupor o papel fulcral que a natureza (physis) desempenha na formação do criador – de acordo com a célebre fórmula de Kant segundo a qual o génio seria a natureza dando regra à arte –, dificilmente pode admitir uma vinculação à intencional falta de originalidade, dado que esta pressupõe sempre algum tipo de trabalho (techné).

É intuito deste número da revista eLyra promover a discussão teórico-crítica deste complexo e instigante processo histórico, a partir da leitura de obras poéticas específicas, nas quais sejam identificáveis procedimentos intertextuais, interartísticos e intermediais que possam enquadrar-se no âmbito de uma tal reflexão. Neste sentido, serão privilegiadas propostas que incidam sobre conceitos ou aspectos históricos/teórico-críticos articulados em torno da noção de génio não original, além de propostas que trabalhem sobre obras poéticas em particular e que se articulem na relação entre a poesia e outras artes/outros media e/ou o discurso interartístico/intermedial da própria poesia.

Org.:
Joana Matos Frias
Pablo Simpson
Sofia de Sousa Silva

Articles, unpublished and formatted according to the standards of the journal, should be sent to revistaelyra@gmail.com by 28 March, 2020.

Call for Papers: Colloquium – Workshop LEA

ILCML

The Pleasures of Reading: State(s) of the Art
Colloquium-Workshop LEA
Porto ILCML – FLUP
17-19 September 2020

Common sense tells us that to read a piece of literature is first and foremost of an act of pleasure (Compagnon 1998), and thus that in order to rehabilitate reading practices we would have to recover and renew the “plaisir du texte” (Barthes 1973), as well as the pleasures of reading broadly speaking. The ludic, ironic and citational nature of contemporary fiction, which puts us into playful dialogue with “an external reality that is always already literary and which exists for the sake of the reader” (Demoulin 1997: 11), does not necessarily diminish the pleasure of reading, but rather transforms and complicates it.
On the other hand, in an era conspicuously marked by the internet and social media, one notices the development of novel ways of reading, prompted by the appearance of new media, which foster a collaborative approach to writing, new forms of interactivity and sociability and, consequently, different ways of sharing with others the pleasures one derives from books.
Nicolas Ancion identifies different ways of reading literary texts: reading for pleasure, that is, recognizing and recreating the pre-existent and indefinite meaning of the text (criticism, reviews, and research), reading as a duty (the academic institution) and reading for fun (the act of reading is more important than what is read, cf. Pennac 1992). Moreover, between pleasure and fun, we find a whole gamut of sensations (states) related to the act of reading and its particular individual and personal modalities, as well as the
various reading media which one ought to consider and which may entail an unconfessed or unspeakable kind of reading (Bayard 2007).
Interlanguage translation, particularly in the European context, as well as intersemiotic and intermedial translation, disseminate and amplify that renewed pleasure of interdisciplinary literary reading, and make possible alternative modes of transmission, navigation and contamination (media, cinema, cartoons, etc.) (Müller 2006, Badir & Roelens 2007). Especially since the advent of digital media, not only the hedonistic aspect of the literary text is enhanced and redefined but also its intersemiotic, interartistic and interdisciplinary qualities, allowing us to (or even demanding that we) read/see/hear more, and projecting the text out into the world, making it possible to apprehend it in novel ways. As such, reading is tied to new forms of sociability and community, both conventional and digital, fostering the dissemination of reading practices, new forms that generate new and varied relations with literary texts, their authors and the critical-editorial sphere.
In light of the preceding, we would like to invite researchers with an interest in the pleasures and practices of reading in present-day Europe to make an oral presentation (20 minutes) or propose a workshop (1h30min) about one of the following topics:

  • The pleasures of reading in the European context;
  • National and international policies that seek to promote reading in today’s Europe;
  • Translation and the promotion of reading of/in Europe;
  • Reading differently: digital, intersemiotic and intermedial approaches;
  • Reading across the life span (stages of reading);
  • New communities of readers and forms of sociability.

Proposals (max 250 words) should be sent to ilcleaporto@gmail.com no later than May 15th, 2020 (please include “Lire2020” in the topic of your email). The organizing committee will respond to your proposal by May 30th, 2020. The colloquium-workshop will take place between July 15th-19th 2020 at the School of Humanities of the University of Porto – Portugal.

Registration fee, in case your paper is accepted: 150 €

You can present your paper/workshop in French, English, Spanish or Portuguese.

Organizing Committee:
Ana Paula Coutinho
Fátima Outeirinho
José Domingues de Almeida

Call for Papers – PT
Call for Papers – EN
Call for Papers – FR

Call for Papers: Literary Europe – Creation and Mediation

ILCML
Literary Europe: 
 Creation and Mediation

Institute for Comparative Literature (ILC)
Faculty of Arts of the University of Porto
12-13 November 2020

If, in literature, Europe has been the subject of a predominantly partial approach in accordance with different geographic frameworks, either concrete or imaginary, other critical and theoretical approaches allow us to project a more complex and problematizing gaze on the geopolitical and geo-symbolic configurations acquired by the “Old Continent” between the end of the Second World War and the present day.
Over the past 75 years, multiple contexts have arisen which have detached Europe both from a colonial scenario and a continental centrality. Europe has become increasingly represented as existing in an unstable balance and an indeterminate future, between the ties of the local and the appeals of authenticity, on the one hand, and, on the other, the challenges of globalization and the confrontation of identities.
Thus, the European continent becomes more and more legible and interpretable by means of conceptual tools pertaining to what has come to be called area studies, and which presuppose the transversality of issues, flows and exchanges involving literary creation and mediation in a single geopraphical area, regardless of linguistic options (Moura, 2017).
As an area, post-1945 Europe is largely the result of writing and reading, both from an intrinsic outlook, which brings forward liminalities, urbanities and (trans)border experiences that were forgotten, exhumed or imagined, and from an exotopic point of view in which postcolonial subjects inscribe themselves in the European imaginary by means of migrant, exilic or diasporic experiences. These focus their sight “from outside” upon a “provincialized” (Chakrabarty, 2000) or postcolonialized Europe (Schulze-Engler, 2013), “upsetting it” (idem) by referring to its “postcoloniality”, or forcing it to face its “postcolonial melancholy” (Gilroy, 2006) and to (seek to) overcome it.
Europe, nevertheless, stamped as it is by a complex and often dramatic history, still remains a catalyst for hopes, even for utopias, as we also witness paradoxical phenomena such as the rise of radicalism and religious and ideological extremisms, trends of nationalist and identitary closure, migratory flows and social changes, and evidences of a postnational cosmopolitanism (Dominguez / D’Haen, 2015).
In addition to exploring the idea of Europe in contemporary literature, namely insofar as it questions the advantages and weaknesses of an unfinished, ongoing political project like the European Union, it proves equally relevant to examine some trends in the configurations of literary creation and mediation within the space of Europe. This involves consideration not only of its representations in literature, but also of the practices of translation and circulation of “European fiction” between peripheries and centres, between minority languages and languages with a wider international reach, as they are conditioned by legitimating instances as well as by editorial policies and markets.
We therefore invite researchers with an interest in any such aspects of “literary Europe” to submit a paper proposal, bearing in mind the following thematic fields:

    • Literary representations of Europe and of the Europeans after 1945;
    • The provincialization of Europe;
    • Borders/liminalities in Europe;
    • Utopian visions of Europe;
    • The translation, circulation and legitimation of European literatures.

Conference languages: English, French, Spanish and Portuguese.
Paper proposals should be sent to ilc@letras.up.pt by 31th May 2020, under the heading Europe 2020. Notification of acceptance will be issued until 15th June 2020.

Proposals should include the following data:
– Name
– Institutional affiliation
– Bionote (ca. 200 words)
– Title of the paper
– Thematic field
– Abstract (ca. 250 words)

The conference is scheduled for 12-13 November 2020, at the Faculty of Arts and Humanities (Faculdade de Letras) of the University of Porto – Portugal.

REGISTRATION
Early bird: 15-30 June 2020:
– Academic staff / researchers with PhD: 90,00 €
– Students: 50,00 €

Late registration: 1st July -15 July 2020:
– Academic staff / researchers with PhD: 120,00 €
– Students: 60,00 €

For all queries please contact ilc@letras.up.pt
URL: www.ilcml.com

Organizing Committee:
Ana Paula Coutinho
Gonçalo Vilas-Boas
Teresa Oliveira
José Domingues de Almeida
Jorge Bastos da Silva

EJICOMP III takes place in July in Aveiro

ILCML

O III Encontro de Jovens Investigadores em Literatura Comparada (EJICOMP III), organizado pela Associação Portuguesa de Literatura Comparada (APLC) numa parceria com o Centro de Línguas, Literaturas e Culturas (CLLC), terá lugar na Universidade de Aveiro, nos dias 9 e 10 Julho 2020.

Será um fórum de debate que pretende proporcionar aos jovens investigadores em Literatura Comparada (lato sensu) a possibilidade de apresentarem a sua investigação e de discuti-la com os seus pares, promovendo deste modo uma partilha de conhecimento e de experiências que será estimulante e enriquecedora para todos.

A organização convida assim mestrandos, doutorandos, pós-doutorandos, recém-graduados e jovens investigadores independentes a darem a conhecer os seus trabalhos (ensaios, dissertações, teses, projetos ou publicações) em curso ou recém-concluídos neste próximo encontro de jovens comparatistas.

As propostas de comunicação devem ser enviadas (em formato word) para ejicomp2020@gmail.com, contendo as seguintes informações:
1.     Nome completo do investigador;
2.     Título da comunicação;
3.     Resumo da comunicação (até 250 palavras);
4.     Breve cv do investigador (até 100 palavras), contendo indicação da filiação institucional (universidade em que decorre/ decorreu a investigação);
5.     Contactos de e-mail e telemóvel.

A língua principal do EJICOMP III é o Português, mas podem ser consideradas propostas de comunicação em Inglês, Francês, Alemão e Espanhol. Tendo em conta que as sessões serão plenárias e que se deseja uma discussão viva e participada, aconselhamos a apresentação em língua portuguesa.

Os resultados serão comunicados até 22 de Maio de 2020.

Mais informações em:
www.ejicomp.com