O prazer de (com)parar #17

ILCML

MÉTHODE : CARESSE

Dialogue tactile, réciprocité du touchant et du touché. Vers ce qui me touche s’avance ma main. Par exemple, lorsque tu t’endors et que me touche ton abandon, et que je pose ma main sur ton sein. Cela m’étonne toujours de constater qu’en dépit de ta respiration – qui est déjà mouvement –, mes propres doigts s’oublient peu à peu s’ils restent immobiles. Alors je les déplace un peu, à peine, pour ne pas te réveiller, en sorte que reste vivante ma sensation, et cela s’appelle une caresse. Rien ne se touche qui ne le soit en mouvement.
Si je traduis cette petite expérience en termes de méthode : vers ce qui me touche j’avance quelques mots. Et je constate qu’en dépit de leurs significations respectives – et de leurs différences –, les mots s’oublient peu à peu s’ils restent immobiles. Alors je les déplace un peu pour tenir vivante ma pensée, et cela s’appelle un phrasé. Rien ne s’écrit qui ne le soit en mouvement. Je ne comprendrai rien si je veux seulement prendre. Prendre c’est immobiliser, immobiliser c’est ne pas comprendre. Il me faut donc accepter de ne prendre qu’au passage, qu’au vol, et de n’avoir pour tout trésor que les lambeaux d’un mouvement, les draperies ou les « traînes » de mes propres sensations.
Il faut, certes, donner forme, et sans relâche. Faire exister ce qui ne fait que passer. Inscrire l’aperçue*. Mais ne rien tenir immobile, pour que la caresse ne se fige pas, pour que le mot ne devienne pas mot d’ordre et pour que la forme ne devienne pas fétiche. Donc, donner bientôt une autre forme, une nouvelle forme. Assumer pour chaque forme – une phrase imprimée, un livre sont des formes – qu’elle soit transitoire, qu’elle se déplace sans relâche sur le corps du monde, comme une caresse.

(17.12.2011)
Georges Didi-Huberman, Aperçues, Paris, Les éditions de minuit, 2018.

* «Aperçues» est le terme appliqué aux images par G. Didi-Huberman, et qui donne son titre à ce livre à partir d’une proposition de Celan. « Et que seraient alors les images ?/Ce qui, une fois, et c’est chaque fois la seule fois, c’est seulement ici et seulement maintenant, est aperçu et à percevoir ». Paul Celan, Le Méridien (1960)

MÉTODO: CARÍCIA

Diálogo táctil, reciprocidade do tocando e do tocado. Para aquilo que me toca adianta-se-me a mão. Por exemplo, quando adormeces e me tocas no teu abandono, e pouso a mão no teu seio. Fico sempre atónito ao constatar que não obstante a tua respiração – que é desde já movimento –, esquecem-se-me aos poucos os próprios dedos se ficarem imóveis. Então, desloco-os um pouco, um quase nada, para não te acordar, de forma a que a minha sensação fique viva, eis o que se chama uma carícia. Nada se toca que não seja em movimento.
Se eu traduzir esta pequena experiência em termos de método: para aquilo que me toca adianto algumas palavras. E constato que, apesar das suas significações respetivas, – e das suas diferenças –, esquecem-se aos poucos as palavras se ficarem imóveis. Então, desloco-as um nada para manter vivo o meu pensamento, eis o que se chama um fraseado. Nada se escreve sem que seja em movimento. Nada hei-de compreender se apenas quiser apanhar. Apanhar é imobilizar, imobilizar é não compreender. Tenho pois que aceitar só apanhar de passagem, por alto, e ter como único tesouro os retalhos de um movimento, os drapeados ou as « caudas » das minhas próprias sensações.
Temos decerto que dar forma, incansavelmente. Fazer existir aquilo que só passa. Inscrever a apercebida*. Mas não manter nada imóvel, para a carícia não se congelar, para a palavra não se fazer palavra de ordem e para a forma não se fazer fetiche. Portanto, dar sem demora outra forma, uma nova forma. Assumir para cada forma – uma frase impressa, um livro são formas – que seja transitória, que se desloque incansavelmente pelo corpo do mundo, como uma carícia.

(17.12.2011)
Traduzido por Catherine Dumas

* «Aperçues» é o termo aplicado às imagens por G. Didi-Huberman, que dá o seu título a este livro a partir de uma proposta de Celan. « O que seriam então as imagens?/Aquilo que, uma vez, e de cada vez é a única vez, é só aqui e só agora, é apercebido e por perceber. » Paul Celan, Le Méridien (1960).