Estudos de Literatura Comparada

Apresentação

A colecção Estudos de Literatura Comparada inclui obras (monografias, colectâneas, actas, etc.) individuais ou colectivas resultantes do trabalho de investigação de membros do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa.

Constelações 2. Ensaios Comparatistas

Constelações 2: ensaios comparatistas sobre literatura e outras artes. O denominador comum dos textos, tal como os reúno neste volume, é decerto a ideia de fronteira. Fronteira política – e os discursos que a constituem -, fronteiras imaginárias – entre artes, sexualidades, cosmovisões -, fronteira do mundo – fins do mundo: desejados, temidos, exorcizados. Figura portanto de muitos níveis e formas, a exigir uma plural pesquisa, se não desmontagem, transformando as fronteiras em constelações.

Autor
Pedro Eiras

Editora
Afrontamento

Data de publicação
Dezembro de 2016

Da MTV para o YouTube: a convergência dos vídeos musicais

capaminiComplemento supérfluo e desnecessário, veículo de promoção ou ferramenta de marketing, triunfo da imagem sobre o som, anúncio publicitário que incita ao consumo massificado, perpetuador de uma forma particularmente cruel de canibalismo cultural, alienação dos mais fracos e oprimidos, detonador de tragédias humanas, invenção da MTV, presumível suspeito do assassínio de uma estrela radiofónica cujo cadáver jamais foi encontrado, propaganda niilista de contornos fascistas, pornografia semiótica, conteúdo “viral” e, mais grave ainda, objecto artístico – de tudo um pouco já foi acusado o género audiovisual com as costas mais largas desde a invenção da televisão, e que parece ter finalmente encontrado nas plataformas digitais o seu habitat natural.

A obra reúne um conjunto de ensaios onde se procura, a partir de uma abordagem interdisciplinar entre os Estudos Literários e as Ciências de Comunicação, proceder a uma análise textual do processo de convergência do vídeo musical da televisão para a rede.

Autor
João Pedro da Costa

Editora
Afrontamento

Data de publicação
Agosto de 2016

A Situação e a Substância - Cinco Ensaios sobre a Ficção de Virginia Woolf e de Maria Velho da Costa

capa_situaçãoO fio condutor que une estes cinco ensaios é a observação de uma ausência fundamental que perpassa os universos narrativos de Virginia Woolf e de Maria Velho da Costa; diríamos por isso que eles são universos narrativos situados. De modo a salientar essa ausência, estudamos o uso das categorias da narrativa (personagem, narrador, acção, espaço, tempo) em alguns dos romances mais importantes das duas autoras. Verificamos assim uma erosão significativa dos modos de representação narrativa que constituíram um legado fundamental do realismo oitocentista; de tal modo que essas categorias da narrativa são postas em causa enquanto suportes estruturadores da experiência humana. O universo sólido do romance realista torna-se instável, mas é nessa fluidez que algumas destas personagens finalmente encontram uma substância para os seus mundos narrativos.

Há, no entanto, uma diferença importante que separa as duas autoras: enquanto a ficção de Virginia Woolf não deixa de salientar os constrangimentos que essa erosão narrativa revela, na ficção de Maria Velho da Costa esse constrangimento dá lugar a uma abertura lúdica, uma oportunidade para a livre efabulação narrativa a que não escapa uma vincada consciência política.

Autor
Rui Miguel Mesquita

Editora
Afrontamento

Data de publicação
Julho de 2016

Annemarie Schwarzenbach e a Literatura de Viagens na Europa dos anos 30

capa_Annemarie_ pequenaOs anos 30 do século XX foram um período extremamente conturbado na história europeia. Sofre-se em pleno o choque da queda da bolsa de Wall Street e a enorme crise económica que provocou e facilitou a subida ao poder de Adolf Hitler que, com apoio de outros, levou a cabo uma das mais sangrentas décadas da história. Mas, ao mesmo tempo, foi uma época rica na literatura, e, especialmente, na literatura de viagens. Muitos e muitas quiseram abandonar a Europa, com a curiosidade de conhecer outros povos, outras realidades e fugir, ainda que só por momentos, da barbárie alemã, que se vai estender aos países vizinhos. Viajam, sobretudo antes do início da guerra, para o Médio Oriente, para as Américas, para África, mas também dentro da própria Europa.

Autores
Gonçalo Vilas-Boas e Maria de Fátima Outeirinho

Editora
Afrontamento

Data de publicação
Junho de 2016

O Discurso sobre a Tradução na Literatura Portuguesa (Classicismo e Romantismo) - Antologia

distradSofrendo quase sempre de estatuto secundário face aos produtos originais da literatura e dos saberes, a tradução houve de apresentar-se, de explicitar os seus preceitos orientadores, de assumir os seus limites, de argumentar, enfim, o seu direito de cidade no cômputo das práticas intelectuais. Encarregaram-se os autores portugueses da defesa e justificação das obras trasladadas e do exercício de as verter, alegando utilidade social e moral, relevância científica e prática, ou mais simplesmente apontando a posição dos escritos no cânone das Letras e do pensamento. De passo, exprimiram e confrontaram-se com receios que se prendiam com a estrangeirização da cultura autóctone, com a bastardização da língua pátria e com o estiolar de um viço propriamente nacional ao compasso das modas importadas. E, todavia, como muitos reconheciam, era também da novidade e do estranhamento de si que a cultura portuguesa necessitava como contributos essenciais para a sua ilustração.

A presente antologia visa facilitar o contacto do leitor coevo com esses enunciados polémicos, críticos e teóricos, no que respeita aos períodos do Classicismo e do Romantismo. Prestando especial atenção ao campo da literatura, sem contudo a ele se circunscrever, documenta os debates travados em torno de conceitos como criação, imitação, fidelidade e vernaculidade, ao longo de grande parte dos séculos XVIII e XIX.

Selecção, Introdução e Notas
Jorge Bastos da Silva

Editora
Afrontamento

Data de publicação
Junho de 2015

Cinefilia e Cinefobia no Modernismo Português (vias e desvios)

cineminEste volume reúne um conjunto de ensaios onde se procura problematizar criticamente a complexidade das relações que alguns dos mais importantes autores do Modernismo português estabeleceram com o universo cinematográfico da época, com especial destaque para as consequências estruturantes que essa relação provocou no campo literário, em particular no poético. De Fernando Pessoa a Adolfo Casais Monteiro, passando por Almada Negreiros, Gomes Ferreira e José Régio (vias), procura-se fundamentar um equacionamento do Modernismo de alcance interartístico e internacional, com ramificações que se estendem ainda aos Modernismos brasileiro e espanhol (desvios).

Autora
Joana Matos Frias

Editora
Afrontamento

Data de publicação
Dezembro de 2014

Emily Dickinson e Luiza Neto Jorge: Quantas Faces?

emiminEntre Emily Dickinson e Luiza Neto Jorge não há apenas um século de distância: há duas línguas, duas tradições literárias, dois contextos histórico-sociais e duas obras que divergem entre si. Ao mesmo tempo, porém, são surpreendentes as continuidades que se estabelecem entre as duas autoras quando sobre elas se faz incidir um olhar de teor aproximativo. Ambas criam um idioma desviante, que tanto suscita entusiasmo quanto incompreensão. Ambas obrigam à reformulação dos pressupostos crítico-literários tradicionais e à criação de um diferente tipo de público. Ambas – poetas vulcânicas – ameaçam o status quo literário e social com a sua torrente poética, ainda que obliquamente, no caso de Dickinson, e ciclopicamente, no caso de Neto Jorge. Revelando formas singulares de insubordinação, as obras poéticas de Emily Dickinson e de Luiza Neto Jorge contribuem decisivamente para a reconceptualização da categoria de sujeito presente na tradição da Modernidade, através da desestabilização operada pela emergência de uma subjectividade instável (mas) feminina.

Autora
Marinela Carvalho Freitas

Editora
Afrontamento

Data de publicação
Dezembro de 2014

Platão no Rolls-Royce: Ensaio sobre Literatura e Técnica

plataominResistirei a definir o conceito de técnica. A técnica (tal como a axiologia que a sustenta, o poder que ela confere, o uso nela previsto, proposto, improvisado) dependerá, em cada instante, de uma escrita singular. Por isso, tentarei não subsumir o conceito numa só definição, mas espero redescrevê-lo em cada página, ou diversas vezes no interior de um mesmo parágrafo. Qualquer descrição será sempre circunstancial e efémera.

Autor
Pedro Eiras

Editora
Afrontamento

Data de publicação
Abril de 2015

Tradução e Cultura Literária: Ensaios sobre a presença de autores estrangeiros em Portugal

552fb44b3d2f4Tradução e Cultura Literária reúne um conjunto de estudos críticos de tradução em perspectiva histórica, examinando o modo como a cultura portuguesa se relacionou com autores estrangeiros como William Shakespeare, Walter Scott, J. W. Goethe, Alfred de Vigny, Alexander Pope, John Milton e muitos outros.

Autor
Jorge Bastos da Silva

Editora
Afrontamento

Data de publicação
Abril de 2015

Repto, Rapto (alguns ensaios)

552fa11aa2cdcRepto. Rapto. É nesta exacta medida que a poesia portuguesa contemporânea é agónica: ela constrói-se como dicção crítica, ela interroga e questiona as representações do senso comum, ela faz-se pela mão de autores implicados que convocam leitores implicados, ela é trangenérica porque rejeita as diferenciações impostas e prefere associar a intensidade lírica à extensão narrativa, ela propõe mundos e formas de vida alternativos face à hegemonia económico-financeira, ela adopta uma atitude de representação funcional naturalista e de fantasia concretizante.

 

Autora
Joana Matos Frias

Editora
Afrontamento

Data de publicação
Abril de 2015

Marguerite Duras. O cinema da escrita. A escrita da voz. A voz do cinema

durasminMarguerite Duras escreveu, encenou, realizou: livros, peças de teatro, filmes; ou melhor, Marguerite Duras fez livros, peças de teatro, filmes: escreveu. Todo o seu trabalho e actividade se resumem a esse gesto: a escrita. As obras aqui em análise (Nathalie Granger, Le camion, L’homme atlantique) começaram por ser filmes e só depois foram publicadas em livro. Três filmes-livros que constroem um caminho (e, nesta autora, os caminhos existem para nos desorientarmos). Interessa aqui explorar esse Purgatório durasiano onde um filme (que se quer destruição fílmica) se purifica em livro sem nunca conseguir expiar o texto. Procede-se, então, à análise específica dos filmes-livros em causa, para nos aproximarmos de uma poética-potência própria, em que a voz é determinante.

Autora
Mathilde Ferreira Neves

Editora
Afrontamento

Data de publicação
Maio de 2013

Constelações. Ensaios Comparatistas

constminOs ensaios comparatistas reunidos neste livro foram escritos entre 2006 e 2012, no âmbito da minha actividade como investigador do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa. São contemporâneos de outros livros de ensaios comparatistas, com os quais de vários modos dialogam: Tentações , Um Certo Pudor Tardio , Os Ícones de Andrei.

Autor
Pedro Eiras

Editora
Afrontamento

Data de publicação
Maio de 2013

Ficção Policial: Antologia de Ensaios Teórico-Críticos

poliminA abrir a década de 1990, em 1993 mais precisamente, a tradução para português do estudo clássico de Ernest Mandell, Delightful Murder. A Social Histoy of Crime Fiction (1984), ainda hoje o livro estrangeiro mais relevante na área ensaística sobre literatura policial em Portugal, faria esperar que, num contexto em que também foram criados prémios de incentivo a uma produção nacional, surgisse alguma antologia que reunisse ensaios significativos sobre o género policial. Foi a pensar nessa lacuna editorial, bem como na eventual curiosidade e interesse por parte de leitores e não-leitores de narrativas policiais que a presente antologia se organizou. A grande procura no nosso país do «género policial», proveniente agora dos mais diversificados horizontes culturais (desde os países nórdicos à América Latina), a vitalidade e capacidade de renovação desta espécie narrativa e o aparecimento ainda que tímido, em Portugal, de trabalhos académicos sobre o género, são outros motivos na origem deste volume. Por isso achámos também que nele não poderia faltar uma Bibliografia seleccionada, incluída com o objectivo de catalisar novos estudos sobre o tema.

Organizadores
Maria de Lurdes Sampaio
Gonçalo Vilas-Boas

Editora
Afrontamento

Data de publicação
Dezembro de 2012

Reconhecer-se Além Fronteiras: Ecofeminismo e o Pensamento de Maria de Lourdes Pintasilgo

recominReconhecer-se Além Fronteiras pretende averiguar em que medida o pensamento de Maria de Lourdes Pintasilgo pode ser usado como chave para a crítica dos problemas que actualmente envolvem os seres humanos e o mundo natural. Uma linha de pensamentoque encontra repercussão no Ecofeminismo, que desde os anos setenta tem vindo a realizar a mesma questionação do quadro conceptual da sociedade ocidental, construido a partir de várias discriminações sociais, na desvalorização das mulheres e dos recursos naturais. Estes são pontos de contacto entre estas duas linhas de pensamento: a defesa de um modelo de sociedade assente em relações de interdependência entre seres humanos e natureza, e um desenvolvimento que articule a sustentabilidade da Qualidade de Vida com novos modelos de produção. Uma questão continua a pairar: Será a defesa de uma mudança de paradigma, assente numa ética que valoriza o respeito pela diversidade de relações entre seres humanos em equilíbrio dinâmico com a natureza, ainda uma utopia?

Autora
Ana Cristina Assis

Editora
Afrontamento

Data de publicação
Maio de 2012

Um certo pudor tardio: Ensaio sobre os «poetas sem qualidades»

pudorminNão sabemos o que é salvar; se há diferença entre salvar a época e salvar-se a si próprio na época; e o que fazer do peso teológico dessa palavra, disseminada às vezes em seculares poemas. Sabemos, apenas, ou suspeitamos – que eterno e transitório se opõem; mas, a ser assim, os “poetas sem qualidades” sugerem talvez que salvar não é revelar o eterno no mundo, mas – paradoxo – imergir nas águas turvas do transitório. E então, só então, quando o poeta desistiu do eterno, pode surgir um sentido, a beleza, um pequeno fragmento do mundo, salvo.

 

Autor
Pedro Eiras

Editora
Afrontamento

Data de publicação
Outubro de 2011

Annemarie Schwarzenbach: Uma viajante pela palavra e pela imagem

4db9951dbd60eNesta publicação o olhar foi dirigido para os textos de Annmarie Schwarzenbach – em palavras e em fotografias – no sentido de encontrar as interrogações, os medos, as reflexões a que a autora aí dá forma. Mas também para se perceber o modo como Annemarie Scharzenbach constrói o Outro, sempre a partir de si e das suas perplexidades, bem como das ideias feitas que ela transporta na sua bagagem interior a propósito da sua Europa a caminho da ruína. Focou-se, de igual forma, o modo como o diálogo com o Outro provocou mudanças nos textos que foi escrevendo e nas fotografias que foi tirando ao longo da vida. Olhar pela palavra e pela imagem: foi este o desafio, que se traduziu nestes onze estudos que agora publicamos, onze diferentes olhares sobre a fotografia e a literatura desta fascinante escritora e fotógrafa.

Autor
Gonçalo Vilas-Boas

Editora
Afrontamento

Data de publicação
Agosto de 2010

Lentes Bifocais: Representações da Diáspora Portuguesa do Século XX

lentesminMovendo-se num terreno que tem sido explorado sobretudo na sua dimensão sociológica e antropológica, estes ensaios sobre a vertente literária e, mais pontualmente, cinematográfica da diáspora portuguesa do século XX, ao enveredarem por uma perspetiva de análise crítica ainda pouco usual entre nós, procuram acima de tudo levantar questões, rasgar sentidos, mostrar nexos ou apontar problemas, com a nítida consciência daqueles que são os limites e a arbitariedade subjacentes a qualquer corpus de investigação.

Autora
Ana Paula Coutinho Mendes

 

Editora
Afrontamento

Data de publicação
Abril de 2010

Identidades Reescritas: Figurações da Irlanda no Teatro Português

identiminIdentidades Reescritas: Figurações da Irlanda no Teatro Português oferece uma caraterização da presença da dramaturgia irlandesa na dinâmica da criação teatral portuguesa dos últimos 50 anos. Recenceado o conjunto de autores e de textos traduzidos e representados em Portugal, interrogam-se, numa perspetiva comparatista, as diferentes modalidades de reconfiguração das suas marcas culturais.

Autor
Paulo Eduardo Carvalho

Editora
Afrontamento

Data de publicação
Abril de 2010