Cadernos de Literatura Comparada #45

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As crises humanitárias vividas pelos refugiados que se adensam às portas da União Europeia nas primeiras décadas do século XXI levaram ao incremento da presença das temáticas da migração e do exílio nos discursos mediáticos e políticos. Também os estudos culturais e artísticos, com especial destaque para os estudos literários, e a literatura lhes continuam a dedicar (renovada) atenção.

Simultaneamente os estudos do exílio, da memória e do Holocausto, longe de se tornarem um mero projeto aditivo que apenas juntasse novos estudos de caso, abrem-se a novos enfoques e adquirem perspetivas alargadas. Determinantes são cruzamentos com outras áreas de saber, como, p.ex., os estudos poscoloniais ou os “transareal studies”. Conceitos como “moving ou travelling memories” (Erll 2011) ou “literatura sem morada fixa” (Ette 2005) e “TransArea” (Ette 2012) acentuam o caráter a muitos títulos dinâmico das novas abordagens, que tendem a cruzar problemáticas próprias de enfoques não apenas interdisciplinares como transnacionais e transculturais.

No que diz respeito ao percurso do exílio a nível espacial tende-se a enfatizar não só os lugares (vivências) anteriores à partida e aqueles que marcaram a chegada, mas o caminho, com as suas paragens mais ou menos longas e os (difíceis) cruzares de fronteira (Dogramaci/Otto 2017). Também os olhares sobre os exílios do séc. XX, nomeadamente a fuga ao nacional-socialismo, ganham novos enfoques e Portugal e o Brasil, que na maior parte dos casos foram respetivamente país de passagem e local de acolhimento, ganham novo protagonismo.

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