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October 23rd

 

O Primo Basílio: edição crítica

A edição crítica d’O Primo Basílio, vigésimo quarto título da  Edição Crítica das Obras de Eça de Queirós, contempla um dos grandes romances queirosianos e, ao mesmo tempo, um dos seus textos mais problemáticos. A expressão não é excessiva, se tivermos em conta, entre outros, dois aspetos da composição e da recomposição deste relato: a quantidade e a qualidade das correções a que Eça submeteu a sua prosa, na passagem para a segunda edição; o curto lapso de tempo em que esse trabalho decorreu e que se iniciou, de facto, logo que o romance se esgotou, no próprio ano de 1878 em que veio a público. Conforme nota Isabel Pires de Lima, na extensa introdução que escreveu, bastaram três meses para que se esgotasse uma primeira tiragem de 3 mil exemplares, número apreciável, para a época.

Já para além dos anos 70, O Primo Basílio conheceu ainda uma terceira edição, em 1887. Como está sublinhado na introdução a esta edição crítica, aquela reedição não contou com a intervenção do escritor, coisa que o deixou, no mínimo, frustrado. É caso para perguntar: o que seria o texto d’O Primo Basílio, se Eça tivesse voltado a ele? Tendo em atenção aquilo que fez, na preparação da segunda edição, não é difícil conjeturar que novas e certamente não poucas emendas tornariam esta edição ainda mais complexa.

A Edição Crítica das Obras de Eça de Queirós é um projeto de investigação integrado no Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de Coimbra. O próximo título a publicar será O Crime do Padre Amaro (primeira versão; 1875), em edição de Carlos Reis, coordenador da série, e Daiane Cristina Pereira.

(Da Nota prefacial, com adaptações)

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